A Votorantim encerrou 2025 com R$ 7,7 bilhões em caixa e nenhuma dívida, marca inédita na história centenária do grupo da família Ermírio de Moraes. Parte desse patrimônio líquido a ser utilizado em aportes incluirá os R$ 4,7 bilhões provenientes da venda da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) para Chinalco e Rio Tinto, operação anunciada em janeiro cuja liquidação ocorrerá em 2026.
Segundo a administração, o montante disponível permitirá ao grupo ampliar investimentos tanto nas empresas existentes quanto em novas aquisições. O CEO João Schmidt afirmou que o caixa será destinado a apoiar a transformação do portfólio e viabilizar movimentos estratégicos.
No balanço de 2025, a Votorantim reportou lucro líquido de R$ 4,8 bilhões, receita líquida de R$ 47,6 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 11,5 bilhões. Desde a chegada de Schmidt em 2020, a holding incorporou cinco novos negócios: Motiva (infraestrutura), Auren (energia), Altre (imobiliário), Hypera (farmacêutica) e 23S Capital (venture capital, em parceria com o fundo soberano de Cingapura, Temasek).
O conglomerado também manteve investimentos significativos nas controladas e empresas sob sua influência, entre elas Votorantim Cimentos, Citrosuco, Nexa, Acerbrag, Banco BV e Reservas Votorantim, cujo conjunto recebeu mais de R$ 50 bilhões em aportes nos últimos anos.
No sentido oposto, o grupo tem se desfocado de ativos considerados menos alinhados à estratégia patrimonial: a divisão de siderurgia foi vendida à ArcelorMittal em 2018 e a Fibria foi incorporada pela Suzano em 2019. Na Citrosuco, a Votorantim trouxe o fundo canadense PSP Investments como sócio.
Próximos passos
Sem detalhar alvos específicos, a direção da Votorantim disse que os setores de infraestrutura regulada (onde já atua com a Motiva e a Auren) e saúde (com a Hypera) são áreas de interesse. A entrada no capital da Hypera começou em 2023, a participação foi elevada para 11% no início de 2025, e o grupo liderou um aumento de capital de R$ 1,5 bilhão na farmacêutica em 2026, embora o desembolso da Votorantim deva ficar abaixo do R$ 1 bilhão inicialmente previsto. João Schmidt e Cláudio Ermírio de Moraes passaram a integrar o conselho da Hypera.
O mercado também acompanha uma possível negociação envolvendo a venda da fatia de 14,86% da Mover (ex-Camargo Corrêa) na Motiva. A Mover está em recuperação judicial e precisa negociar essa participação para viabilizar seu plano; a operação, que envolve direitos de preferência de Votorantim, Itaúsa e do grupo Soares Penido, pode movimentar cerca de R$ 5 bilhões ao todo.
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Sobre um eventual IPO da Votorantim Cimentos, a empresa mantém alavancagem baixa e segue com um plano de investimentos de R$ 5 bilhões, dos quais R$ 2,7 bilhões já estão em execução. A direção afirma que esse é o foco atual da unidade, sem confirmar uma oferta de ações.
A venda da CBA ilustra a discrição nas operações do grupo: o processo por trás da transação teve início em meados de 2024, quando a Votorantim contratou o banco Moelis para buscar parceiros para o Projeto Rondon, empreendimento de mineração de bauxita no Pará estimado em US$ 2,5 bilhões. Com alavancagem de 2,45 vezes o Ebitda, a CBA acabou atraindo propostas pela companhia inteira, resultando na negociação avaliada em R$ 4,7 bilhões anunciada em janeiro.
Na estrutura de controle, a holding familiar Hejoassu reúne 12 membros, incluindo seis integrantes da quinta geração, e define parâmetros de risco e retorno. No conselho da Votorantim S.A., a família é representada por três assentos — José Roberto Filho, Cláudio Ermírio e André Macedo — enquanto a gestão operacional é profissionalizada desde 2014, processo que culminou com a nomeação de João Schmidt como CEO em 2020.
O grupo afirma manter um portfólio balanceado entre setores mais resilientes, como infraestrutura e energia, e ativos ligados a commodities, dos quais não pretende se descolar totalmente, aproveitando-se de momentos de preços favoráveis.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6