Mary Wallace “Wally” Funk, aviadora reconhecida por sua longa carreira e por ter se tornado, em 2021, a pessoa mais velha a viajar ao espaço, morreu em 9 de julho de 2026, aos 87 anos. O óbito ocorreu em sua residência em Grapevine, no Texas (EUA), e foi confirmado por Mona Quintanilla, porta-voz da prefeitura local.

Carreira e trajetória até o espaço

Wally Funk entrou para a história da aviação desde os anos 1960, quando participou de um programa experimental que avaliou a capacidade de mulheres para missões espaciais. Inicialmente composto por 25 candidatas, o grupo foi reduzido a 13 mulheres, conhecido posteriormente como Mercury 13. Segundo os relatos da época, Funk foi a única entre as aviadoras a ser aprovada em todos os testes físicos e psicológicos aplicados.

Apesar do desempenho, a NASA selecionou apenas sete homens — os Mercury Seven — para sua primeira turma de astronautas. Entre esses estavam Alan B. Shepard Jr. e John Glenn. Naquele período, a agência alegou não estar disposta a assumir o risco de enviar mulheres ao espaço.

Persistência e reconhecimento

Funk tentou repetidas vezes ingressar no corpo de astronautas da NASA; a agência só passou a aceitar mulheres em 1978, quando ela já tinha 39 anos. Mesmo sem integrar a equipe da NASA, manteve vínculo permanente com a aviação: foi instrutora de voo, investigadora de acidentes aéreos, tornou-se a primeira mulher inspetora da Federal Aviation Administration (FAA) e atuou no National Transportation Safety Board (NTSB).

Proprietária de uma escola de aviação em Taos, no Novo México, Funk também pilotou aviões bimotores de passageiros para a Sierra Pacific Airlines e participou das corridas aéreas femininas conhecidas como Powder Puff Derby. Em sua autobiografia “Higher Faster Longer”, escrita com Loretta Hall e publicada em 2020, ela afirmou ter acumulado mais de 19 mil horas de voo.

Ao longo da carreira, recebeu homenagens como a inclusão no Women in Aviation International Pioneer Hall of Fame em 1995 e, em 2017, teve seu nome inscrito no Wall of Honor do National Air and Space Museum, em Washington (EUA).

Voo histórico com a Blue Origin

Em julho de 2021, aos 82 anos, Funk realizou um voo suborbital a bordo do foguete New Shepard, da empresa Blue Origin, tornando-se a pessoa mais velha a ir ao espaço até então. A missão durou 10 minutos e 19 segundos e ultrapassou a marca de cerca de 100 quilômetros de altitude. Entre os passageiros estavam Jeff Bezos, seu irmão Mark Bezos e um estudante adolescente de física.

Imagem: Divulgação

Após o voo, ela disse ter gostado da experiência e lamentado a curta duração: “Nós simplesmente subimos e eu vi a escuridão. Eu ia ver o mundo, mas não fomos alto o suficiente. Adorei cada minuto. Só queria que tivesse durado mais.” O recorde de Funk como a pessoa mais velha no espaço foi superado em outubro de 2021 pelo ator William Shatner, de 90 anos, e novamente em 2024 por Ed Dwight, também com 90 anos, que passou a deter a marca.

Origens e primeiros passos

Nascida em 1º de fevereiro de 1939, em Las Vegas (EUA), filha de Losier e Virginia Shy Funk, Wally cresceu em Taos, no Novo México. Desde a infância demonstrou fascínio pelo voo — recordou que, aos cinco anos, tentou “simplesmente voar” pulando do celeiro com uma capa do Superman e que fazia aviões com blocos de balsa. Obteve a licença de piloto enquanto estudava no Stephens College e seguiu para a escola de aviação da Oklahoma State University. Aos 19 anos já pilotava planadores e hidroaviões e, depois de formada, trabalhou como instrutora de voo na base militar de Fort Sill, em Oklahoma.

Wally Funk nunca se casou e não deixou familiares mais próximos. Ao longo da vida, manteve o desejo de continuar voando: após a missão com a Blue Origin afirmou que ainda queria retornar ao espaço — “Quero ir de novo, rápido.”

Com informações de Olhardigital