O Xbox One, considerado resistente a invasões por 13 anos, teve seu sistema contornado por pesquisadores de segurança. Durante o evento RE//verse 2026, o hacker Markus “Doom” Gaasedelen demonstrou um exploit que possibilita a execução de código não assinado no modelo Xbox One FAT, fabricado entre 2013 e 2016.

O que é o desbloqueio

Desbloquear um console, no contexto apontado pelos pesquisadores, envolve modificações no hardware ou no firmware para permitir que o aparelho execute software que não foi assinado ou autorizado pelo fabricante. Técnicas variadas — desde pendrives com exploits até chips adicionais — têm o objetivo de contornar as checagens internas e permitir a execução de jogos ou códigos alternativos.

Por que o Xbox One resistiu por tanto tempo

Após as falhas do Xbox 360, a Microsoft adotou camadas de segurança mais robustas no Xbox One. Além de validações adicionais, o console conta com um Hypervisor que isola o sistema operacional, aplicativos e jogos em partições distintas, dificultando a criação de um exploit capaz de fazer essas camadas conversarem entre si.

Como funciona o método exibido

O método revelado por Markus “Doom” recebeu o nome de Bliss e é um glitch de voltagem que atua diretamente na linha de alimentação do processador. Segundo a apresentação, o procedimento provoca quedas momentâneas de energia na CPU para gerar falhas nas instruções do processador. Foram necessários dois eventos consecutivos: um para impactar o boot ROM do chip e outro para injetar o código malicioso durante a leitura de dados. O trabalho exigiu ferramentas de introspecção de hardware e um nível de precisão elevado, o que torna o método longe de ser “plug and play”.

O exploit, conforme demonstrado, é aplicável ao Xbox One FAT e não se estende automaticamente aos modelos Xbox One S e X, que não permitem o mesmo desbloqueio nas condições apresentadas.

Possíveis ganhos para a comunidade

Além da execução de mídias alternativas, desbloqueios podem abrir caminhos para pesquisa sobre segurança, desenvolvimento de homebrew, preservação de software e experimentos técnicos que permitam compreender melhor a retrocompatibilidade. Muitos modders apontam interesse em usos técnicos legítimos, como estudo de limites da plataforma e criação de ferramentas comunitárias.

Mitos, riscos e implicações legais

Apesar dos potenciais usos, o desbloqueio traz riscos ao usuário. A técnica demonstrada não é de fácil reprodução e pode causar falhas permanentes no aparelho, inclusive “brick” — quando o console deixa de funcionar completamente. Usuários que fizerem modificações correm risco de banimento dos serviços online da Microsoft, perda de acesso ao Xbox Game Pass, multiplayer e impossibilidade de baixar ou validar jogos digitais adquiridos.

Imagem: Divulgação/Microsoft

A violação também é motivo para perda de garantia e pode reduzir a vida útil do console. Há ainda a ameaça de golpes comerciais: ofertas de “desbloqueio fácil” que podem instalar malwares ou trocar componentes sem autorização. No plano legal, a prática de pirataria é crime, sujeita, conforme citado, a pena que pode variar de multa a detenção de três meses a um ano.




Impacto futuro

Embora o Xbox One FAT já não esteja em produção, a demonstração pode levar a revisões de segurança por parte da Microsoft em consoles atuais e futuros, como o Xbox Series e o anunciado Xbox Helix. Caso a técnica seja replicada ou adaptada, atualizações e novos modelos poderão mitigar riscos e influenciar a forma como retrocompatibilidade e preservação de jogos são tratadas.

O desbloqueio do console de 2013 representa um avanço nas pesquisas sobre segurança de firmware e hardware, mas, por ora, a complexidade do método e os perigos associados continuam a limitar sua adoção em larga escala.

Com informações de Canaltech