Em um intervalo de cerca de dez dias, decisões judiciais e investidas de governos estaduais redefiniram distritos eleitorais e deram aos republicanos um ganho estrutural que pode somar aproximadamente 10 cadeiras a seu favor na Câmara dos Deputados dos EUA, segundo avaliação de legisladores e analistas citados no levantamento.
Até duas semanas antes, democratas estavam mais confiantes sobre a possibilidade de retomar o controle da Câmara nas eleições de novembro, depois de acreditar que o redistritamento havia se equilibrado. A sequência de reviravoltas incluiu uma decisão da Suprema Corte dos EUA e outra da mais alta corte da Virgínia, além de ações de legislaturas estaduais controladas pelos republicanos.
O deputado democrata Brendan Boyle, da Pensilvânia, resumiu a mudança: “Está claramente mais apertado do que há uma semana e meia”, referindo-se às chances de seu partido de conquistar a maioria. Boyle também afirmou que, antes das últimas decisões, esperava ganhos de 15 a 20 cadeiras, mas agora estima entre 10 e 15.
Atualmente, os republicanos mantêm uma vantagem estreita na Câmara, com 217 assentos contra 212 dos democratas. Mesmo assim, a história usual das eleições de meio de mandato — em que o partido do presidente tende a perder cadeiras — ainda pesa a favor dos democratas, que seguem vistos como favoritos em termos gerais devido a fatores como a baixa popularidade do presidente Donald Trump, altos preços da gasolina e a guerra contra o Irã.
Entre as ações que beneficiaram os republicanos nas últimas semanas estão a aprovação, pela Flórida, de um novo mapa que pode criar até quatro distritos favoráveis ao partido; manobra no Tennessee para eliminar a única cadeira democrata remanescente no estado; um adiamento extraordinário das primárias na Louisiana por parte do governador republicano para viabilizar um novo mapa; e pedidos no Alabama para aplicar mapas que podem alterar a distribuição de assentos.
A Virgínia também teve papel central. Em 21 de abril, eleitores aprovaram por margem estreita um referendo que validou um mapa distrital desenhado por democratas, mas a mais alta corte do estado derrubou em seguida um mapa que poderia ter favorecido o partido, reduzindo ganhos esperados.
Repercussões políticas passaram por celebrações e mensagens nas redes: o estrategista republicano James Blair publicou no X “Senhor, conceda-me humildade” após a corte da Virgínia anular um mapa que beneficiaria democratas, e líderes republicanos como o presidente da Câmara, Mike Johnson, e o ex-governador Glenn Youngkin comemoraram decisões favoráveis.
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Do lado democrata, parlamentares relatam movimentação intensa para reagir. A deputada Yvette Clarke, de Nova York e presidente do Congressional Black Caucus, disse que o partido realiza várias reuniões para formular respostas em estados controlados por democratas, mas admitiu incerteza devido a prazos eleitorais.
O impacto das mudanças já se refletiu em projeções: o Cook Political Report reduziu de 217 para 208 o número de cadeiras classificadas como ao menos levemente favoráveis aos democratas, o que faz com que o partido precise vencer 10 das 18 corridas consideradas indefinidas para recuperar a maioria.
Processos judiciais em curso na Virgínia, Tennessee, Flórida, Louisiana e Alabama ainda podem modificar mapas e alterar expectativas até novembro. Enquanto isso, democratas e republicanos se preparam para uma disputa distrito a distrito no outono norte-americano, com o resultado potencialmente decidido por uma combinação de tribunais, legislaturas estaduais e o voto dos eleitores.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6