A Venezuela registrou dois fortes terremotos com magnitudes de 7,5 e 7,2 na Escala Richter, que deixaram centenas de feridos, dezenas de mortes e destruição de prédios. O governo venezuelano confirmou pelo menos 188 óbitos e mais de 1,5 mil pessoas feridas. Um sistema online foi criado para registrar desaparecidos e já listava mais de 24 mil nomes no início da tarde seguinte aos tremores. Foram relatadas ao menos 30 réplicas nas horas posteriores, e equipes de emergência do país — cerca de 500 grupos — atuaram nas operações de resgate. Países como Brasil, Estados Unidos, França, El Salvador e Espanha anunciaram envio de ajuda e suprimentos à Venezuela.
O que provoca um terremoto
Os terremotos são desencadeados pelo movimento das placas tectônicas que compõem a crosta terrestre, segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB). Essas placas se movem em ritmo muito lento — alguns centímetros por ano — e, quando se encontram, a compressão pode acumular tensão até que a resistência das rochas seja vencida, provocando a ruptura conhecida como falha geológica. O ponto interno onde se inicia essa ruptura é o hipocentro; o epicentro é o ponto na superfície imediatamente acima dele.
A magnitude do tremor é medida pela escala de Richter, criada em 1935 por Charles Richter. Essa escala é logarítmica: a amplitude das vibrações aumenta dez vezes a cada grau e a energia liberada é cerca de 30 vezes maior entre um grau e o seguinte. Há também a Escala Mercalli Modificada, que avalia os efeitos visuais sobre construções e pessoas e em que a diferença entre graus corresponde ao dobro da aceleração percebida. Para grandes eventos, costuma-se utilizar a Escala de Magnitude de Momento (Mw), introduzida em 1979, que estima a energia total liberada considerando rigidez das rochas, área da falha e deslocamento.
Por que a Venezuela é suscetível
A Venezuela está na zona de encontro das placas do Caribe e da placca Sul-Americana, que se deslocam lateralmente. Esse movimento pode ficar “travado” pelo atrito, favorecendo o acúmulo de tensão. O SGB destaca que grande parte da energia liberada por terremotos ocorre em áreas conhecidas, como o Cinturão de Fogo do Pacífico.
Impacto sentido no Brasil e risco no território brasileiro
Ondas sísmicas geradas por um terremoto se propagam em todas as direções; quanto maior a magnitude, maior a distância alcançada por essas ondas. Solos com sedimentos menos consolidados, como depósitos fluviais, tendem a amplificar os tremores, o que explica relatos de tremores em cidades do Norte do Brasil.
O Brasil está situado sobre a Placa Sul-Americana e, segundo o SGB, registra principalmente terremotos intraplaca, de profundidade rasa (até 40 km) e magnitudes baixas a moderadas. Em média, o país tem cerca de 20 sismos por ano com magnitude superior a 3 e dois com magnitude superior a 4. Terremotos de magnitude superior a 7 são raros no território brasileiro, com ocorrência estimada em média a cada 500 anos. O maior evento registrado no país foi em 1955, com magnitude 6,2, tendo o epicentro a 370 km ao norte de Cuiabá (MT).
Imagem: Foto AP/Ariana Cubillos
O SGB também registra um episódio com vítima fatal ocorrido em 09/09/2007: um tremor de magnitude 4,9 atingiu o vilarejo de Caraíbas, em Itacarambi (MG). Jesiane Oliveira da Silva, de 5 anos, morreu quando a construção onde ela estava foi destruída; o tremor danificou as 75 edificações da comunidade e destruiu seis delas. Outras seis pessoas ficaram feridas, duas em estado grave, entre as quais a irmã gêmea da menina, que estava na mesma cama.
Maior terremoto já registrado
O maior abalo sísmico documentado ocorreu em Valdivia, Chile, em 22 de maio de 1960, com magnitude 9,5 na Escala de Magnitude de Momento (Mw). O evento, conhecido como Grande Sismo do Chile, durou cerca de dez minutos e gerou um tsunami com ondas de até 25 metros na costa chilena, afetando também Japão e Filipinas; a região andina sofreu erupções vulcânicas nos dias seguintes.
As autoridades seguem avaliando danos, contabilizando vítimas e coordenando o recebimento de ajuda internacional.
Com informações de Valor.globo

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6