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Beirute — O Irã lançou uma série de contra-ataques contra interesses e aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio na madrugada de sábado, em resposta à ofensiva militar coordenada iniciada por EUA e Israel. A ação iraniana atingiu instalações militares americanas em vários países da região e provocou medidas de defesa e restrições ao tráfego aéreo.

Agências iranianas e fontes regionais relataram que os alvos incluíram a base aérea de Al Udeid, no Catar; a base aérea de Ali Al Salem, no Kuwait; a base aérea de Al Dhafra, nos Emirados Árabes Unidos; e o quartel‑general da 5ª Frota da Marinha dos EUA, no Bahrein. Israel, Jordânia e Arábia Saudita também foram atingidos em ataques realizados neste sábado.

Autoridades dos Emirados Árabes Unidos informaram ter interceptado vários mísseis lançados do Irã. Destroços caíram em um bairro residencial de Abu Dhabi, causando a morte de uma pessoa e danos materiais. As forças jordanianas relataram a intercepção de dois mísseis balísticos que penetraram no espaço aéreo do país, sem identificar a origem dos disparos. O Ministério da Defesa do Catar disse ter abatido ao menos duas ondas de mísseis e afirmou que não havia registro de vítimas em áreas residenciais, segundo nota do Ministério do Interior.

A Arábia Saudita declarou ter interceptado ataques direcionados a Riad e à região leste do país, descrevendo as ações como “covardes”, e manifestou apoio a outros Estados árabes afetados. A agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, informou que o Estreito de Ormuz ficou “praticamente fechado”, medida que pode afetar uma rota pela qual transita cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados por via marítima.

Em Israel, sirenes soaram em várias regiões após o início dos ataques. Mídia local e serviços de emergência registraram impactos em áreas como Tirat Carmel (distrito de Haifa), onde fragmentos atingiram um prédio residencial e feriram ao menos uma pessoa; houve também relatos de ferimentos leves em Umm al-Fahm e outras localidades. O serviço de emergência Magen David Adom informou que não houve mortos em decorrência direta dos ataques, apenas feridos durante deslocamentos para abrigos.

O Irã mantém influência por meio de grupos aliados na região, incluindo os houthis no Iêmen e o Hezbollah no Líbano. Após ataques a um reduto seu, o grupo Kataib Hezbollah, ativo no Iraque, anunciou que revidará atacando bases americanas. O Hezbollah condenou os ataques de EUA e Israel, sem indicar claramente se entrará diretamente no conflito para defender Teerã.

Imagem: Divulgação

Os incidentes levaram ao fechamento temporário de espaços aéreos em vários pontos. Qatar Airways e Emirates suspenderam voos de e para seus hubs em Doha e Dubai. A autoridade de aviação civil da Síria informou o fechamento dos corredores aéreos do sul do país por 12 horas, com redirecionamento do tráfego por rotas alternativas aprovadas.

Analistas apontam que, embora ampla, a reação iraniana tenha sido menos intensa do que alguns previam e mais difusa do que o ataque de 12 dias em junho passado, quando o Irã lançou quase 600 mísseis contra Israel. Especialistas observam ainda que as defesas e capacidades militares iranianas foram afetadas durante o conflito do ano anterior com Israel, e que Teerã pode estar preservando parte de seus armamentos para uma campanha que pode se estender por dias.

Autoridades e analistas regionais expressaram preocupação com a escalada e com o risco de ampliação do conflito, que envolve bases, infraestrutura e populações civis em diversos países.

Com informações de Infomoney