Uma pesquisa da Universidade Quinnipiac, divulgada no fim de março de 2026, indica que 15% dos norte-americanos aceitariam trabalhar sob a supervisão direta de um programa de inteligência artificial (IA). O levantamento ouviu quase 1.400 adultos e revela que, embora uma minoria esteja disposta a substituir um chefe humano por um “chefe de IA”, o tema já ganha espaço nas discussões sobre o futuro do trabalho.

Ao mesmo tempo, a maioria resiste à ideia: 80% dos entrevistados rejeitam ter rotinas e tarefas coordenadas por uma máquina. O estudo mostra uma divisão entre a percepção geral do mercado e a avaliação pessoal de risco: 70% acreditam que o avanço tecnológico reduzirá as oportunidades de emprego em termos amplos, enquanto apenas 30% dos profissionais atualmente empregados receiam que suas posições específicas se tornem obsoletas por conta da IA.

O Grande Achatamento e exemplos corporativos

O aumento da aceitação por parte de parcela dos trabalhadores coincide com um movimento empresarial apelidado de “The Great Flattening” (O Grande Achatamento). Em análise do portal TechCrunch, citada no relatório, empresas de tecnologia já estão adotando agentes de IA para reduzir camadas intermediárias de gestão e tornar estruturas mais enxutas.

O estudo traz exemplos práticos dessa tendência em grandes empresas do setor: a Amazon teria implantado fluxos de trabalho automatizados que substituem atribuições antes realizadas por gerentes médios; a Workday disponibilizou agentes de IA capazes de registrar e aprovar relatórios de despesas sem intervenção humana; e engenheiros da Uber desenvolveram um modelo de IA do próprio CEO, Dara Khosrowshahi, para avaliar propostas antes de reuniões presenciais.

Transparência e regulação como pré-requisitos

Além das reservas dos trabalhadores, a pesquisa aponta preocupações sobre a forma como as empresas utilizam a tecnologia. Segundo o levantamento, 76% dos americanos consideram que as organizações não são transparentes o suficiente quanto ao uso da IA. Para que a aceitação de um “chefe de IA” avance, os participantes indicaram a necessidade de normas claras: 74% afirmaram que faltam diretrizes éticas e regulamentação por parte das autoridades.

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Para a Dra. Tamilla Triantoro, professora da Escola de Negócios da Universidade Quinnipiac, os dados sugerem que o público já vê a IA como uma ferramenta relevante no mercado, mas ainda busca melhor compreensão sobre os efeitos na carreira individual.

Com informações de Olhardigital