Uma equipe da Universidade da Califórnia em Berkeley apresentou um protótipo de “nariz eletrônico” capaz de identificar gases liberados por alimentos deteriorados e compostos relacionados a alergênicos. O dispositivo, descrito em artigo publicado na revista Science Advances em 17 de junho de 2026, combina uma matriz de sensores químicos com algoritmos de aprendizado de máquina para reconhecer padrões de odor com alta sensibilidade.
Como funciona
O sistema desenvolvido em Berkeley utiliza uma matriz com 16 sensores de gás, cada um formulado para responder a combinações específicas de moléculas emitidas por alimentos. As reações químicas na superfície dos materiais sensíveis geram sinais elétricos que são processados por modelos de aprendizado de máquina capazes de distinguir diferentes perfis olfativos.
Os pesquisadores treinaram o aparelho para reconhecer odores de frutas, oleaginosas — incluindo noz, amêndoa e amendoim — além de produtos como leite, ovos e frango cru em distintas condições de conservação. O modelo também aprendeu a diferenciar alimentos frescos daqueles deixados em temperatura ambiente por 24 e 48 horas, identificando estágios de deterioração.
Segundo o estudo, o equipamento detectou concentrações muito pequenas de compostos associados a alimentos, mostrando sensibilidade a níveis equivalentes a cerca de um centésimo de uma unidade comum de noz.
Materiais, limitações e produção
Na construção do sensor, a equipe usou nanotubos de carbono como material condutor em substituição aos óxidos metálicos convencionais. Essa escolha permitiu operação à temperatura ambiente e aumento da sensibilidade. O processo de fabricação empregado incluiu a deposição de filmes sensíveis em uma única etapa, simplificando a produção e possibilitando o uso de materiais que poderiam ser danificados por temperaturas elevadas.
Os autores do artigo observam, porém, que ainda não foram realizados testes em ambientes com misturas complexas de gases, como cozinhas ou refrigeradores contendo múltiplos alimentos simultaneamente, o que pode afetar a precisão em cenários reais.
Imagem: Divulgação
O trabalho foi conduzido por pesquisadores de engenharia elétrica e ciência da computação da UC Berkeley, liderado por uma doutoranda do quarto ano, membro do Javey Research Group, e contou com colaboração de uma universidade parceira na Coreia do Sul. As aplicações visadas incluem monitoramento doméstico e industrial de alimentos, com possibilidades de integração em refrigeradores inteligentes para alertar sobre deterioração e prevenção de consumo de produtos impróprios.
Além da versão de bancada, os pesquisadores já testaram uma unidade portátil experimental conectada a um aplicativo de celular, ampliando as opções de uso fora de ambiente laboratorial.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6