Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que 39% dos empresários do setor industrial esperam elevar o endividamento bancário nos próximos três meses, em meio a juros que ainda pressionam o caixa das empresas mesmo após cortes na taxa Selic em 2026.

A pesquisa mostra que a necessidade de crédito para honrar compromissos correntes é a principal preocupação: 53% das companhias disseram que terão de contratar mais empréstimos para financiar contas a pagar, incluindo fornecedores, tributos e despesas operacionais. Destas, 38% estimam que os recursos virão com juros mais altos.

O estudo também aponta para aumento da demanda por antecipação de recebíveis: 47% das indústrias planejam recorrer ao crédito para adiantar valores de vendas feitas a prazo, e 42% preveem que essas operações terão custos financeiros superiores aos atuais.

O financiamento de estoques aparece como outro ponto sensível. Segundo o levantamento, 42% das empresas pretendem ampliar a contratação de crédito para aquisição de matérias‑primas, produção ou manutenção de mercadorias em estoque, enquanto apenas 13% esperam reduzir esse tipo de financiamento. Novamente, 42% acreditam que os bancos vão aumentar o custo dessas operações.

Na avaliação da analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virginia Colusso, a sequência de reduções da Selic ainda não se refletiu nas condições financeiras das empresas: apesar do início do ciclo de queda dos juros, as empresas continuam a enfrentar encargos elevados que impactam a atividade industrial.

Para o gerente de Política Econômica da CNI, Kleber de Castro, a percepção do setor reflete uma política monetária que, na prática, permanece restritiva no curto prazo. Ele ressalta que o custo do crédito produtivo tende a reagir com atraso às mudanças na Selic, o que mantém o financiamento empresarial em patamares elevados por algum tempo.

24/07/2026 — Juros elevados levam 39% das indústrias a prever aumento do endividamento, aponta CNI

Imagem: Agencia-brasil

As dificuldades também se traduzem em expectativas de margem e preços: 58% dos entrevistados projetam redução da margem líquida nos próximos três meses; diante disso, 37% pretendem reajustar preços de venda, enquanto 51% afirmam que vão manter os valores atuais e absorver parte da pressão sobre os custos.

A Consulta Empresarial da CNI foi realizada entre 13 e 24 de julho de 2026 com 191 empresas industriais, distribuídas por 30 setores e 20 unidades da Federação. O levantamento mostra que, embora o processo de flexibilização monetária tenha começado, a percepção predominante entre os industriais é de crédito caro e de maior pressão financeira sobre as operações.

Com informações de Portalin