Uma pesquisa global aponta que a ampla integração de inteligência artificial nas operações corporativas vem ocorrendo sem controle adequado sobre onde os dados sensíveis estão armazenados. Segundo o Relatório de Ameaças a Dados 2026, da Thales, apenas 34% das organizações sabem a localização de todos os seus dados, situação que amplia riscos à segurança à medida que sistemas automatizados passam a operar internamente com amplo acesso às informações.

O estudo, conduzido pela S&P Global 451 Research a pedido da Thales, entrevistou 3.120 profissionais de segurança e gestão de TI, excluindo empresas com receita anual inferior a US$ 100 milhões. Entre os respondentes, 61% apontaram a IA como o principal risco para a segurança de dados da organização.

Em setores considerados essenciais, como automotivo, energia, financeiro e varejo, as empresas relataram que o ritmo acelerado de transformação impulsionado pela IA se tornou o maior desafio de segurança. A pesquisa indica que, ao incorporar IA em pipelines de desenvolvimento, análises e atendimento ao cliente, as organizações frequentemente concedem aos sistemas automatizados níveis de acesso que não contam com controles equivalentes aos aplicados a funcionários humanos.

O relatório também identificou lacunas significativas na proteção de dados em ambientes de nuvem: apenas 39% das empresas afirmaram ter capacidade para proteger plenamente os dados em nuvem, e quase metade (47%) dos dados sensíveis armazenados nesses ambientes permanece sem criptografia.

Especialistas consultados no estudo advertem sobre o risco de as IAs ampliarem rapidamente fragilidades existentes quando governança de identidade, políticas de acesso e criptografia são insuficientes. “O risco interno já não envolve apenas pessoas. Envolve também sistemas automatizados nos quais se confiou rápido demais”, afirmou Sébastien Cano, vice-presidente sênior de produtos de cibersegurança da Thales.

O relatório destaca que invasores já exploram essas vulnerabilidades: o roubo de credenciais foi citado por 67% das organizações que sofreram ataques em nuvem como a principal técnica usada contra a infraestrutura de gestão em nuvem. Cerca de 50% das empresas apontaram a gestão de segredos como um dos principais desafios na segurança de aplicações, refletindo dificuldades em governar identidades de máquinas, tokens e chaves de API em larga escala.

Incidentes com IA, deepfakes e orçamentos

Quase 60% das empresas relataram ter enfrentado incidentes envolvendo deepfakes, e 48% disseram ter sofrido danos reputacionais relacionados a campanhas de desinformação ou falsificação de identidade geradas por IA. O erro humano segue contribuindo para violações de dados em 28% dos casos, e a automação acelerada pode ampliar o impacto de falhas cotidianas.

Imagem: Divulgação

Apesar das ameaças, apenas 30% das organizações dispõem de orçamentos específicos para segurança de IA; 53% ainda dependem de programas e verbas de segurança tradicionais, focados em usuários humanos e defesas perimetrais. Eric Hanselman, analista-chefe da S&P Global 451 Research, afirmou que, com a crescente integração da IA nas operações, visibilidade e proteção contínuas dos dados deixam de ser opcionais e precisam ser repensadas em termos de identidade, criptografia e controle de acesso.

O relatório foi divulgado em meio a debates recentes sobre os impactos econômicos e sociais da automação por IA, incluindo um ensaio viral da Citrini Research sobre um cenário de “PIB fantasma” em 2028 e alertas de executivos do setor sobre mudanças rápidas na tecnologia e na força de trabalho.

O estudo aponta, em suma, uma discrepância entre a velocidade de adoção da IA e a capacidade das empresas de manter controles básicos sobre seus dados, o que pode transformar a própria automação em uma fonte importante de risco interno.

Com informações de Infomoney