Pesquisadores registraram diretamente, em tempo real, o assoalho oceânico se abrindo e liberando lava ao longo de uma cordilheira no Oceano Índico em 26 de abril de 2024. O evento ocorreu na Cordilheira Sudeste-Indiana, na região onde as placas tectônicas Antártica e Australiana se afastam, e foi documentado por uma equipe que publicou um estudo na revista Nature.
O deslocamento das placas causou o afastamento da crosta oceânica em pelo menos dois metros em poucos dias e expulsou cerca de 160 milhões de metros cúbicos de lava. Parte do leito marinho sofreu afundamento de até 4,2 metros, em consequência do esvaziamento da câmara magmática abaixo da superfície.
Quem monitorou, onde e como
A observação só foi possível graças a um observatório subaquático instalado dois meses antes da atividade sísmica. Em fevereiro de 2024, a equipe de geofísicos montou a rede de monitoramento OHA-GEODAMS ao longo de um segmento de 100 quilômetros próximo à Ilha de São Paulo (Île Saint-Paul), no Oceano Índico.
O conjunto de instrumentos incluía cinco hidrofones para captar ondas sonoras associadas a tremores, sensores de pressão calibrados para medir variações verticais do relevo e 15 sinalizadores acústicos instalados no fundo do mar. Esses sinalizadores, alimentados por bateria, trocavam sinais entre si a cada quatro horas, permitindo calcular mudanças na distância horizontal entre as placas por meio do tempo de propagação do som.
Segundo o coautor Jean-Yves Royer, geofísico marinho do CNRS em Brest, a magnitude observada foi inesperada. “Esperávamos apenas alguns centímetros de deslocamento vertical. Mas, em vez disso, medimos 4,2 metros.”
Imagem: Divulgação
Sequência do evento e continuidade das observações
Os registros indicam que o processo começou com acúmulo de magma sob alta pressão, que rompeu camadas rochosas e desencadeou tremores a partir de 26 de abril de 2024. Esse movimento provocou o colapso da superfície sobre a câmara magmática esvaziada e liberou a grande quantidade de lava documentada.
Os pesquisadores estimam que o deslocamento registrado aliviou entre três e seis décadas de tensão tectônica acumulada na região. As estações permanecem operando no leito oceânico e deverão continuar coletando dados geofísicos de forma contínua até 2027, com o objetivo de acompanhar a evolução do segmento e ampliar o entendimento sobre a formação de nova crosta em dorsais meso-oceânicas.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6