Levantamento da CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras) revela que 80% das empresas do setor incorporaram soluções de inteligência artificial (IA) em suas operações. Segundo a entidade, a tecnologia deixou de ser apenas uma tendência e virou prioridade estratégica, com impactos visíveis no atendimento ao consumidor.

O presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, afirmou em coletiva de apresentação dos dados, realizada nesta terça-feira (24), que as companhias brasileiras estão acelerando a adoção de IA e que seu uso tende a crescer nos processos corporativos nos próximos anos.

A pesquisa, realizada entre 31 de outubro de 2025 e 12 de janeiro de 2026, entrevistou 26 seguradoras associadas, 17 executivos, dois representantes de órgãos reguladores — Banco Central e Susep — e um especialista em inteligência artificial. As empresas consultadas somam R$ 210 bilhões em receita, o que corresponde a cerca de 50,7% do market share do setor.

Os resultados apontam efeitos práticos para o cliente final: redução de 30% a 50% no tempo de resposta, aumento de 100% no volume de cotações, crescimento de 30% na produtividade das áreas de tecnologia da informação e, em 88% das empresas, melhoria nas capacidades tecnológicas existentes. Na prática, isso tem se traduzido em respostas mais rápidas em canais digitais, chatbots com maior precisão, emissão de propostas e apólices mais ágil e preços de seguro potencialmente mais alinhados ao perfil de risco dos segurados.

Para Alexandre Leal, diretor técnico da CNseg responsável por estudos e relações regulatórias, o impacto mais imediato da IA aparece no atendimento. Ele destacou que ferramentas de contato conseguem identificar o estado emocional do cliente — por exemplo, se está irritado ou calmo — e ajustar o roteiro de atendimento em função disso.

Motivações para investir em IA

Ao apontarem os principais motivos para aplicar IA em 2025, as seguradoras indicaram, entre outros:

  • 100% — aumento de produtividade;
  • 81% — melhoria na experiência do cliente;
  • 69% — automação de tarefas;
  • 65% — redução de custos;
  • 50% — diferenciação competitiva;
  • 35% — geração de novas receitas;
  • 15% — reforço de segurança e gestão de risco.

Segundo a CNseg, 77% dos ganhos identificados são incrementais, ou seja, melhoram processos existentes sem alterar estruturalmente o modelo de negócios.

Imagem: Divulgação

Expectativas e barreiras

O estudo também indica projeções e obstáculos: 68% das empresas esperam ter processos totalmente automatizados em até cinco anos; 66% pretendem formar equipes dedicadas à IA; 58% projetam investir até 1% da receita em IA em 2026. Quanto ao retorno financeiro, 62% esperam redução de custos superior a 1% já no próximo ano, com 20% projetando queda acima de 5%, enquanto 84% estimam que o aumento de receita diretamente ligado à IA será de até 1%.

Entre as principais barreiras para criar equipes especializadas, as seguradoras citaram custo e restrições orçamentárias (70%), percepção de retorno inadequado (52%), preferência por soluções prontas e mais baratas (37%), falta de expertise interna (33%) e ambiguidade regulatória (8%).

Apesar das limitações, a avaliação da CNseg é de que a inteligência artificial já deixou o plano discursivo e passa a integrar rotinas operacionais das seguradoras, com efeitos imediatos sobre a velocidade do atendimento, a simplificação de processos e a personalização de produtos.

Com informações de Infomoney