Conselheiros do Banco de Brasília (BRB) exigiram esclarecimentos do diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino, sobre mensagens enviadas ao presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, sugerindo a aquisição de carteiras de crédito do extinto Banco Master. A discussão ocorreu em 20 de novembro, na sede do BC, um dia após a Polícia Federal deflagrar operação que resultou na liquidação do Master e na prisão de Daniel Vorcaro.
Segundo a jornalista Malu Gaspar, em sua coluna no jornal O Globo, quatro participantes da reunião afirmaram que Aquino defendeu a recomendação ao BRB alegando problemas de liquidez no Master. Entre 2024 e 2025, o banco vencido repassou ao BRB pacotes de empréstimos consignados avaliados em R$ 12 bilhões.
O encontro foi convocado pelo próprio Banco Central para debater a necessidade de capitalização do BRB e escolher um substituto para Paulo Henrique Costa, afastado após a Operação Compliance Zero. Além de Aquino, estavam presentes o diretor de Supervisão Bancária, Renato Gomes, e o chefe do departamento de supervisão, Belline Santana.
Pelo lado do BRB, participaram o presidente do conselho de administração, Marcelo Talarico, o conselheiro Luís Fernando Lara Resende e o diretor jurídico Jacques Veloso. Durante a sessão, Talarico afirmou que a compra das carteiras de crédito teria ocorrido por orientação expressa do BC, citando inclusive pedido feito por WhatsApp para aquisição de R$ 270 milhões em papéis do Master.
Renato Gomes, então, declarou surpresa e disse não haver registro de qualquer solicitação formal do BC ao BRB relativa a essa operação. Diante disso, todos voltaram o olhar para Aquino, que voltou a repetir seu argumento de que cabia ao regulador atuar para manter a estabilidade do mercado diante da crise de liquidez no Master.
No entanto, dados oficiais do próprio Banco Central indicam que o Master respondia por apenas 0,57% do total de ativos e 0,55% das captações do sistema financeiro nacional, percentual que não configuraria risco sistêmico mesmo diante das irregularidades identificadas.
Imagem: Divulgação
Posicionamento do Banco Central
Em nota divulgada em 23 de janeiro, o BC e o diretor de Fiscalização reafirmaram não ter recomendado ao BRB a compra de ativos ou carteiras do Master. O documento também menciona declaração de dois ex-membros do conselho do BRB, que confirmaram não ter recebido orientações ou mensagens do regulador nesse sentido.
O episódio reforça a tensão entre o Banco Central e o BRB, enquanto o órgão regulador procura garantir a solidez do sistema e a instituição brasiliense busca recuperar-se dos impactos das operações envolvendo o Master.
Com informações de Revistaoeste

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6