Pesquisadores da Northeastern University, nos Estados Unidos, apresentaram um método capaz de aumentar em até três vezes a eficiência na extração de terras raras a partir de rejeitos de mineração de carvão. Publicado na revista Environmental Science & Technology, o estudo indica que o processo pode se tornar uma alternativa viável para suprir a crescente demanda global por esses minerais.

Importância geopolítica das terras raras

Os elementos conhecidos como terras raras são essenciais na produção de ímãs de alto desempenho, baterias de veículos elétricos, turbinas e equipamentos ópticos. Atualmente, a China domina mais de 70% do mercado de extração, enquanto os Estados Unidos enfrentam restrições de acesso. A perspectiva de aumento na procura desencadeou uma corrida internacional pelos recursos. Autoridades americanas, incluindo o ex-presidente Donald Trump, chegaram a estudar acordos e até ameaças de anexação de territórios como a Groenlândia para garantir o suprimento.

Detalhes do novo processo

O método desenvolvido pelos cientistas norte-americanos envolve duas etapas principais: inicialmente, os rejeitos de carvão são submetidos a uma solução alcalina e aquecidos por micro-ondas, o que facilita a liberação dos minerais; em seguida, realiza-se uma purificação com ácido nítrico para separar as terras raras do material residual. Segundo os autores, essa combinação de tratamento químico e energético supera em até três vezes a eficiência das técnicas convencionais.

Embora a abordagem prometa maior rendimento e aproveitamento de resíduos antes considerados inúteis, o alto custo de operação ainda é um obstáculo. Além disso, a composição mineralógica dos rejeitos varia conforme a região, o que exige ajustes específicos em cada mineração. Futuras pesquisas poderão reduzir despesas e padronizar o procedimento, ampliando sua aplicabilidade.

Imagem: Divulgação

Com avanços na extração de terras raras, o mercado pode diversificar fornecedores e reduzir a dependência das reservas concentradas em poucos países. No entanto, a viabilidade econômica e a adaptação às diferentes características geológicas serão determinantes para que a técnica seja adotada em larga escala.

Com informações de Olhardigital