A atriz albanesa Anila Bisha entrou com ação judicial contra o governo da Albânia após identificar que sua imagem e voz foram empregadas na criação de uma ministra virtual gerada por inteligência artificial, apresentada em setembro como membro do novo gabinete do primeiro-ministro Edi Rama. A personagem, chamada Diella, foi atribuída à supervisão de contratos públicos com o objetivo de ampliar a transparência e combater a corrupção em licitações.

Uso de imagem e reação da atriz

Bisha afirma que jamais concedeu autorização para que suas feições e entonação vocal representassem uma figura política. Em entrevista à Reuters, a artista relatou surpresa inicial ao descobrir a personagem: “Primeiro fiquei surpresa, sorri e disse que devia ser uma piada”. Contudo, ao perceber que pessoas nas redes sociais e nas ruas a tratavam pelo nome de Diella, passou a se sentir incomodada com o assédio e as abordagens indesejadas.

No ano anterior, a atriz havia permitido o uso de sua imagem para instalar uma assistente virtual voltada ao atendimento de cidadãos e empresas em um portal governamental. Segundo Bisha, o consentimento foi estritamente destinado a essa função de suporte e não incluía qualquer associação à figura de uma ministra.

Pedido de indenização e resposta do governo

O advogado de Anila Bisha, Aranit Roshi, informou que a ação requer indenização de 1 milhão de euros por violação de dados pessoais. Ele ressaltou que a legislação albanesa prevê multas que podem chegar a 21 milhões de euros para órgãos estatais em situações similares, justificando o valor pleiteado.

Por meio de nota à Reuters, o gabinete de imprensa do governo classificou o processo como “sem sentido” e indicou que o litígio será solucionado na Justiça. Atualmente, a imagem de Diella figura na primeira posição da lista oficial do gabinete no site gubernamental, ao lado das fotografias de Edi Rama e da vice-premiê Belinda Balluku. A presença virtual da assistente política ocorre em meio a investigações que, desde dezembro, apontam suspeita de interferência de Balluku em contratos de infraestrutura — acusações que a vice-premiê nega.

Imagem: Ap

A decisão sobre a eventual suspensão do uso da imagem de Anila Bisha pelo governo está prevista para ser tomada na próxima segunda-feira.

Com informações de Olhardigital