Quem e o que: O Cofre Global de Sementes, localizado no arquipélago de Svalbard, no Ártico, guarda milhões de amostras de cultivos agrícolas com o objetivo de proteger a diversidade genética das plantas alimentares e possibilitar a recuperação de lavouras após conflitos ou desastres.

Por que o cofre foi criado

Segundo a organização Crop Trust, a iniciativa surgiu da necessidade de manter um backup seguro diante de falhas em bancos de germoplasma locais, que já sofreram danos por quedas de energia, incêndios e guerras. A perda de variedades agrícolas, como determinados tipos de trigo ou arroz, poderia comprometer a capacidade de resposta da agricultura a novas pragas e mudanças climáticas, o que motivou a criação de um repositório internacional.

Quando e marcos históricos

O plano para um santuário global foi proposto pela Noruega em 2004. A instalação foi oficialmente inaugurada em 2008, recebendo as primeiras remessas de sementes. Em 2015, houve o primeiro resgate documentado: amostras foram retiradas para ajudar na restauração de cultivos na Síria.

Onde e como a localização protege o acervo

A escolha de Svalbard foi motivada pelo permafrost natural da região, que fornece refrigeração estável mesmo na ausência de energia elétrica, mantendo as sementes em dormência por longos períodos. O isolamento geográfico reduz a exposição a conflitos e instabilidades geopolíticas presentes nos principais continentes, tornando o local adequado para conservar um patrimônio que serve à humanidade.

O que há dentro do cofre

Em câmaras lacradas e caixas seladas estão variedades provenientes de praticamente todos os países, abrangendo desde cereais básicos até espécies raras. Entre as categorias preservadas estão cereais básicos (trigo, arroz, milho), leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico) e parentes silvestres de cultivos, cujos genes podem oferecer resistência a doenças e estresses ambientais. O ambiente interno é controlado para evitar umidade e contaminação, assegurando a viabilidade biológica ao longo do tempo.

Imagem: Divulgação

Resiliência da estrutura

Engenheiros projetaram o bunker para suportar eventos extremos, incluindo terremotos, explosões nucleares e a elevação do nível do mar resultante do derretimento das calotas polares. A entrada do túnel foi posicionada acima da cota de inundação prevista nos piores cenários climáticos, e melhorias contínuas na impermeabilização complementam a proteção contra aquecimento do solo no entorno. Há monitoramento 24 horas para vigiar o estado das instalações e preservar as amostras.

O cofre funciona como um seguro global para a agricultura, com a missão de manter disponíveis recursos genéticos que possam ser usados por cientistas e produtores quando necessário.

Com informações de Olhardigital