Especialistas afirmam que o tamanho da tela não é, por si só, o fator determinante para o aumento do cansaço visual. Segundo o oftalmologista Kenzo Hokazono, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), o desconforto ocular está mais relacionado ao esforço necessário para enxergar de perto do que às dimensões do dispositivo.

O médico explica que o cansaço visual resulta da contração prolongada do músculo ciliar, responsável pelo foco em objetos próximos. Quanto maior o tempo dedicado à leitura ou ao trabalho em telas sem intervalos, maior a sobrecarga desse músculo, o que aumenta a sensação de fadiga ocular.

Fatores que aumentam o esforço

Além do tempo de uso, reflexos na tela, iluminação inadequada e contrastes excessivos intensificam o esforço visual. Ambientes muito escuros não chegam a causar dano, mas exigem mais trabalho do sistema visual; por isso, a recomendação é adotar uma iluminação suave e posicionada atrás do leitor.

Outro ponto apontado pelo especialista é o tamanho das letras: fontes pequenas podem demandar maior esforço para foco, o que faz com que telas menores, dependendo do ajuste, provoquem mais cansaço do que telas maiores.

Cuidados práticos

Entre as medidas para reduzir o desconforto estão manter a distância ideal da tela — entre 30 e 40 centímetros — e adotar postura correta, com as costas eretas. O ressecamento ocular também contribui para ardor e visão embaçada, já que o piscar diminui durante o uso de dispositivos; piscar de forma consciente e, quando indicado, usar colírios lubrificantes podem aliviar os sintomas.

Imagem: Ivo Meneghel Jr/ Canaltech

Hokazono recomenda seguir a regra 20-20-20: a cada 20 minutos, interromper a atividade e olhar por 20 segundos para um objeto a cerca de 20 pés (aproximadamente 6 metros) de distância. Esse hábito ajuda a relaxar o músculo ciliar e reduzir a tensão acumulada.




Por fim, manter o grau dos óculos atualizado e realizar consultas oftalmológicas periódicas são práticas essenciais tanto para corrigir problemas de visão quanto para detectar precocemente doenças oculares e sistêmicas que podem evoluir sem sintomas evidentes.

Com informações de Canaltech