TRANSMISSÃO: Band

Sonhos de Trem (Train Dreams), indicado ao Oscar 2026 em quatro categorias — entre elas Melhor Filme e Roteiro Adaptado — é a principal aposta da Netflix na premiação. Dirigido por Clint Bentley e protagonizado por Joel Edgerton, o longa adapta a novela de Denis Johnson e narra, em cerca de oito décadas, a trajetória de Robert Grainier, um trabalhador das ferrovias que vive no interior dos Estados Unidos.

Resumo da história

O filme acompanha Robert desde a infância órfã até a velhice isolada em Idaho. Sua rotina passa por empregos na construção de ferrovias e no corte de madeira; mesmo sem percorrer grandes distâncias, ele participa da infraestrutura que transforma o país. A vida de Robert ganha um novo sentido ao se casar com Gladys (Felicity Jones) e ao terem uma filha, Kate. O trabalho no campo e na mata alterna com o desejo de passar mais tempo com a família.

O incêndio e a ausência

O rumo da vida de Robert muda quando um incêndio devasta a região e destrói a casa onde viviam Gladys e Kate. Ao retornar de uma jornada de trabalho, ele encontra apenas ruínas. Passa meses procurando pistas, mas os corpos nunca são localizados. A falta de confirmação transforma o luto em uma dor sem fechamento, que acompanha Robert enquanto reconstrói a cabana e tenta seguir com a vida.

A “menina-lobo” e o ritual de encerramento

Anos depois, já idoso, Robert cuida de uma jovem selvagem e ferida que surge na mata. Ele repete o nome Kate, acredita que a visitante possa ser sua filha sobrevivente, mas a narrativa não confirma a identidade. O narrador aponta a improbabilidade do retorno. A cena funciona como um gesto simbólico: ao cuidar da garota, Robert realiza o ato paterno que lhe foi negado pela tragédia, um possível rito de fechamento do luto.

Fu Sheng e a culpa

Outra presença recorrente é Fu Sheng, um trabalhador chinês que Robert viu ser assassinado por colegas racistas durante a construção da ferrovia. As aparições de Fu Sheng representam a culpa que Robert carrega por sua omissão, além de remeter à invisibilidade histórica dos imigrantes chineses no trabalho ferroviário.

Imagem: Robert sonhava em deixar seu trabalho para viver mais tempo com a família

O momento da televisão e a frase “Somos nós”

Nos anos 1960, Robert observa pela vitrine de uma loja imagens do astronauta John Glenn orbitando a Terra. Ao ver o planeta na tela, uma mulher responde “Somos nós”, conectando o homem isolado ao movimento coletivo da humanidade e ao avanço tecnológico que ele ajudou a viabilizar.

O desfecho

No trecho final, Robert decide voar em um biplano. Durante o voo, flashes de sua vida passam por sua mente — Gladys, Kate, os colegas de trabalho, a floresta — e ele experimenta uma sensação de conexão com o mundo. Logo depois, o filme mostra que Robert morre em novembro de 1968, sozinho na cabana; seu corpo é exibido integrando-se à natureza que o circunda.





Ao longo do longa, a fotografia assinada pelo brasileiro Adolpho Veloso reforça o contraste entre a força regeneradora da natureza e o progresso técnico — das ferrovias ao espaço — enquanto o roteiro trata de temas como luto, tempo e pertencimento, deixando intencionalmente questões em aberto para o espectador.

Com informações de Tecmundo