Um experimento da BBC News demonstrou como modelos de inteligência artificial podem aceitar e replicar informações falsas publicadas online. O repórter Thomas Germain convenceu o ChatGPT e o Gemini, modelo do Google, a afirmar que ele seria o jornalista de tecnologia que mais come cachorros‑quentes no mundo, após publicar um texto fictício em seu próprio blog.
Como o teste foi feito
Germain publicou no blog um artigo intitulado “Os melhores jornalistas de tecnologia em comer cachorros quentes”, em que inventou um ranking do Campeonato Internacional de Cachorro Quente da Dakota do Sul de 2026. No post, ele se colocou em primeiro lugar e citou outros repórteres, alguns reais e outros fictícios. Ao consultar o ChatGPT e realizar buscas no Google, as IAs passaram a apresentar Germain como o campeão do evento. O Claude, da Anthropic, foi o único modelo que não replicou a informação falsa.
Vulnerabilidade e método usado
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o truque é uma versão contemporânea de manipulação de SEO (otimização para motores de busca): criar conteúdo que apareça em posições altas nas buscas para que algoritmos e agentes automatizados considerem essas fontes como válidas. Em respostas automatizadas, o GPT chegou a citar o artigo e a linkar o site, mas não deixou claro que aquela era a única fonte disponível sobre o assunto.
Cooper Quintin, tecnologista sênior da Electronic Frontier Foundation, alertou para as consequências além de uma brincadeira: golpes financeiros, dano à reputação e até indução a riscos físicos. Harpreet Chatha, especialista em SEO, mostrou outro exemplo em que o Google reproduziu avaliações feitas pela própria fabricante de um doce de cannabis, incluindo a afirmação de que o produto “é livre de efeitos colaterais”, informação que contraria dados sobre interações e riscos conhecidos com medicamentos.
Escalada do problema
O relatório destaca ainda que criminosos podem amplificar o efeito pagando para publicar conteúdo em veículos mais confiáveis, como serviços de distribuição de press releases ou espaços patrocinados em portais de notícias. Chatha demonstrou resultados manipulados para buscas como “melhores clínicas de transplante capilar na Turquia” e “melhores empresas de IRA em ouro”, todos alimentados por conteúdo pago.
O Google estima que 15% das buscas diárias sejam inteiramente novas, isto é, consultas sem histórico prévio, tornando-as mais suscetíveis a conteúdo de baixa qualidade. Um estudo citado pela BBC indica que usuários têm 58% menos chance de clicar em um link quando uma resposta gerada por IA aparece no topo da página de resultados, o que reduz a verificação independente das informações. Lilly Ray, vice‑presidente de estratégia de SEO da agência Amsive, resumiu que a situação favorece agentes maliciosos, já utilizada no início dos anos 2000 e hoje potencializada pelas IAs.
Imagem: Divulgação
TRANSMISSÃO: do YouTube.
Para mais notícias de segurança e tecnologia, a reportagem relembra a recomendação de checar as fontes citadas pelas IAs e manter o senso crítico diante de respostas rápidas geradas automaticamente.
Com informações de Tecmundo

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6