TRANSMISSÃO: Record

Quem pensa em pedir demissão precisa avaliar não só motivos pessoais ou profissionais, mas também o calendário de desligamento. Há direitos garantidos e deveres a cumprir que influenciam o valor das verbas rescisórias e a forma de contagem do período trabalhado.

Ao solicitar a demissão, o trabalhador tem direito ao saldo de salário, ao 13º proporcional, às férias proporcionais com acréscimo de um terço quando for o caso, e às férias vencidas acrescidas de um terço. Não cabe, porém, o pagamento da multa rescisória de 40% sobre o FGTS, nem o acesso ao seguro-desemprego.

Quando pedir para otimizar valores

O advogado Marcel Zangiácomo ressalta que “não há um ‘melhor dia universal’ para pedir demissão”, mas que marcos legais podem influenciar a rescisão, como ter trabalhado pelo menos 15 dias no mês ou completar o período de férias. A legislação do 13º salário prevê que a fração igual ou superior a 15 dias de trabalho será considerada mês integral, por isso é indicado optar por uma data a partir do dia 15.

Aviso prévio e prazos

O aviso prévio também é ponto relevante: o empregado deve conceder ao empregador o período mínimo de 30 dias e, se não cumpri-lo, o valor correspondente pode ser descontado, explica o advogado Leandro Bocchi. Assim, quem precisa se desligar até uma data específica deve pedir demissão com, pelo menos, um mês de antecedência, salvo acordo que dispense o cumprimento do aviso.

Bocchi lembra que feriados prolongados não alteram a contagem do aviso prévio, pois a lei determina a contagem em dias corridos e não em dias úteis. Em 2026 haverá mais de dez feriados entre segunda e sexta-feira, o que reforça a necessidade de atenção ao calendário.

Sobre o dia da semana para formalizar a saída, Bocchi e Zangiácomo afirmam que não há vantagem adicional. A advogada Livea Farah, professora de Direito na Unig e na Uniabeu, discorda e destaca que, no cálculo do saldo de salário, são considerados todos os dias do mês em que o vínculo esteve ativo.

Imagem: Divulgação

Depoimento e cenário do mercado

A gerente administrativa Letícia Peruzzo, de 41 anos, relatou que pediu demissão em busca de salário e benefícios melhores e por preferência por uma empresa maior. Ela planejou a saída para treinar sua substituta e permanecer no trabalho por mais um mês, o que, segundo ela, permitiu “maximizar essas verbas [rescisórias]”.

Dados mostram que a saída voluntária não é incomum: entre outubro de 2024 e outubro de 2025, cerca de nove milhões de pessoas deixaram seus empregos por vontade própria, levantamento da 4intelligence elaborado pelo economista Bruno Imaizumi indica. O reitor do Ibmec Rio de Janeiro, Samuel Barros, afirma que fatores como busca por melhores salários, benefícios, flexibilidade e autonomia, além do crescimento do mercado, explicam parte desse movimento.

O mercado de trabalho teve indicadores positivos: a taxa de desemprego caiu para 5,1% no trimestre encerrado em dezembro, o menor nível da série histórica iniciada em 2012. Segundo o Caged, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego em janeiro, foram criadas 1.279.498 vagas formais em 2025.

Com essas condições, trabalhadores se sentem mais confiantes para trocar de emprego em busca de maior realização profissional.

Com informações de Infomoney