A Prefeitura de Santos implantou uma rede de sensores para monitorar a qualidade do ar em tempo real, possibilitando a identificação rápida de picos de poluição e a emissão de alertas para grupos vulneráveis, como idosos e crianças. O sistema cobre a orla e áreas portuárias e integra dados ambientais a centros de análise climática para orientar decisões de saúde pública e mobilidade urbana.

Como funciona o monitoramento

Segundo um relatório técnico da Prefeitura de Santos, sensores instalados em pontos estratégicos captam variações de gases e partículas finas. As leituras são transmitidas em tempo real via redes IoT para servidores em nuvem, onde é processado o Índice de Qualidade do Ar (IQA) e cruzado com dados meteorológicos, como velocidade do vento, para avaliar a dispersão dos poluentes.

Com essas informações em mãos, a administração municipal pode identificar episódios de maior emissão associados à atividade portuária ou ao tráfego intenso nas avenidas costeiras e acionar alertas preventivos quando a dispersão atmosférica está baixa.

Etapas de implementação

O projeto foi estruturado em três frentes principais: implantação de uma malha de sensores de baixo custo e alta precisão distribuída pela orla e pelas zonas portuárias; envio contínuo de dados para processamento em nuvem que gera o IQA; e transparência pública por meio de painéis digitais e aplicativos que permitem consulta direta pela população.

Benefícios para a saúde e o planejamento urbano

O monitoramento contínuo contribui para reduzir casos de doenças respiratórias crônicas ao permitir ações preventivas em períodos críticos. A coleta de dados também subsidia políticas de urbanismo, como o planejamento de novas ciclovias e a definição de restrições ao tráfego pesado em horários de maior concentração de poluentes.

Além do impacto sanitário, o cruzamento entre ciência de dados e planejamento urbano favorece a criação de medidas de prevenção em escala municipal, colocando a saúde da população como critério nas decisões tecnológicas da gestão pública.

Imagem: Divulgação

Impacto econômico e principais poluentes

A transparência sobre a qualidade do ar ajuda a atrair investimentos em tecnologias verdes e reforça a imagem de Santos como destino turístico sustentável. Ao mesmo tempo, a adequação das operações portuárias aos limites de emissão demanda diálogo entre setor privado e órgãos de fiscalização para conciliar atividade industrial e preservação ambiental.

Entre os poluentes monitorados estão o dióxido de nitrogênio (NO2), associado a motores a diesel e atividades portuárias e relacionado à inflamação das vias aéreas; o material particulado fino (PM2.5), proveniente de combustão e obras, ligado a problemas cardiovasculares; e o ozônio troposférico (O3), formado por reações químicas sob sol, que reduz a função pulmonar.

O projeto em Santos funciona como exemplo de aplicação de tecnologia acessível para gestão ambiental e saúde pública, com dados abertos que também podem ser usados por pesquisadores e pela comunidade para desenvolver soluções complementares.

Com informações de Olhardigital