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A Ford lançou, em 1963, um programa para construir um carro capaz de derrotar a Ferrari nas 24 Horas de Le Mans, após uma negociação de compra fracassada entre as duas empresas. O projeto resultou no Ford GT40, concebido para combinar velocidade elevada na reta Mulsanne com resistência para completar a prova de endurance.
Origem e objetivo do projeto
O programa Ford GT (Grand Touring) começou com a meta explícita de vencer em Le Mans. O sufixo “40” indica a altura do carro em polegadas (aproximadamente 102 cm), uma restrição aerodinâmica definida para alcançar altas velocidades. A engenharia inicial teve participação de Eric Broadley, da Lola Cars, que estabeleceu as bases do modelo.
Componentes técnicos e desenvolvimento
O projeto evoluiu apoiado em quatro pilares principais: chassis, motor, aerodinâmica e sistema de transmissão/freios. O chassis inicial era um monocoque de aço; versões posteriores, como o Mk IV, passaram a utilizar estruturas de alumínio em colmeia para reduzir peso. A motorização começou com um V8 Ford Fairlane de 289 polegadas cúbicas (4,7 litros) no GT40 Mk I, mas a resposta definitiva veio com o big-block 427 (7,0 litros) derivado da NASCAR, oferecendo mais de 485 cv e torque elevado.
A aerodinâmica recebeu atenção em túnel de vento para reduzir arrasto e garantir estabilidade em velocidades acima de 320 km/h. As transmissões iniciais não suportavam o torque do motor 427, o que levou à adoção de uma caixa Kar Kraft de quatro marchas desenvolvida pela Ford. Os freios a disco foram redesenhados com discos ventilados e um sistema de troca rápida implementado pela equipe de Ken Miles, permitindo substituição do conjunto em minutos durante os pit stops.
Busca por confiabilidade e a virada com Shelby
As primeiras participações do GT40 em Le Mans, em 1964 e 1965, terminaram em abandonos devido a falhas mecânicas. A Ford então transferiu o projeto para a Shelby American, liderada por Carroll Shelby, que direcionou esforços para tornar o carro não apenas rápido, mas confiável. A chegada do GT40 Mk II em 1966, projetado para abrigar o motor 427, foi um marco.
A equipe de Shelby aplicou testes de durabilidade rigorosos: motores eram submetidos a dinamômetros que simulavam as 24 horas completas da prova, e só eram aprovados se resistissem ao ciclo inteiro. O piloto e testador Ken Miles desempenhou papel central ao ajustar dirigibilidade, refrigeração e freios com feedback prático em pista.
Imagem: Divulgação/Ford
Estratégia contra a Ferrari em 1966
Para a disputa de 1966, a Ford adotou uma estratégia de grande escala, mobilizando amplo orçamento e várias equipes, como Shelby American e Holman & Moody, além de inscrever múltiplos carros para aumentar as chances de sucesso. A tática privilegiou potência e durabilidade, mesmo que isso resultasse em maior peso e menor agilidade nas curvas.
A Ferrari competiu com a 330 P3, mais leve e ágil, equipada com um V12 de 4,0 litros, e apostava na eficiência em trechos sinuosos. Sem, porém, o mesmo nível de investimento industrial da Ford, a equipe italiana acabou superada. Em 1966, três Ford GT40 cruzaram a linha de chegada juntos, consolidando a vitória histórica sobre a Ferrari em sua pista.
O GT40 nasceu, assim, de um esforço técnico e financeiro intenso, combinando alterações de chassis, motores de maior cilindrada, soluções aerodinâmicas e melhorias em transmissão e freios para transformar uma ambição de fábrica em um triunfo nas 24 Horas de Le Mans.
Com informações de Canaltech

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6