O rover Perseverance, da NASA, completou cinco anos na superfície de Marte em 18 de fevereiro de 2026 e recebeu uma atualização que permite calcular sua posição de maneira autônoma, semelhante a um sistema GPS, informou a agência espacial.

Desde o pouso na cratera Jezero, em fevereiro de 2021, o veículo do tamanho de um carro examina solo e rochas em busca de vestígios do passado marciano. Ao contrário da Terra, Marte não dispõe de uma constelação de satélites de navegação, o que obrigava o rover a depender de imagens, sensores e do controle das equipes na Terra para estimar sua localização.

Como funciona o novo sistema

A atualização denominada “Localização Global de Marte” faz com que o Perseverance compare imagens panorâmicas captadas por suas câmeras com mapas de terreno armazenados internamente. O algoritmo integrado executa essa correspondência em cerca de dois minutos e determina a posição do rover com precisão aproximada de 25 centímetros, segundo a NASA.

Antes dessa ferramenta, pequenos erros de navegação se acumulavam ao longo das caminhadas do veículo, gerando incertezas que podiam ultrapassar 35 metros. Quando havia risco de aproximação de terreno perigoso, o rover suspendia a movimentação e aguardava novas instruções da equipe em solo, o que limitava velocidade e alcance das operações científicas.

Com o novo sistema, o Perseverance consegue calcular sua localização sem depender da confirmação imediata dos engenheiros na Terra, o que reduz as pausas impostas pelos atrasos naturais na comunicação entre os dois planetas — a distância média entre Terra e Marte é de cerca de 225 milhões de quilômetros.

Testes e aplicação futura

A equipe da NASA começou a desenvolver o recurso em 2023 e avaliou o algoritmo usando imagens de 264 paradas anteriores do rover; em todos os testes a ferramenta identificou corretamente a posição. A tecnologia já foi empregada com sucesso em operações recentes do Perseverance.

Imagem: Divulgação

O avanço também recorre a técnicas de inteligência artificial. Em experiências anteriores, o rover realizou uma trajetória totalmente planejada por IA generativa, quando o sistema analisou imagens e dados do terreno para detectar obstáculos — como rochas e declives — e traçar rotas seguras.





Antes de enviar comandos definitivos ao veículo, os engenheiros validaram os planos em um modelo digital que simula o comportamento do rover, procedimento que reduz riscos e confirma a executabilidade das instruções. A NASA afirma que a solução pode ser adaptada para outros exploradores e aplicada em missões futuras em Marte e em outras regiões do Sistema Solar, aumentando a autonomia das operações espaciais.

Com informações de Olhardigital