Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que a eventual alteração na jornada de trabalho — com o fim da escala 6×1 e redução da jornada semanal — pode elevar substancialmente os custos de pessoal das empresas brasileiras. Segundo a entidade, os gastos anuais com pessoal poderiam crescer entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões caso a nova regra seja aplicada sem mecanismos de transição.

Esse aumento representaria, segundo a CNI, até 7% a mais na folha de pagamentos total da economia. A projeção analisa dois caminhos para manter o mesmo número de horas trabalhadas: o pagamento de horas extras à força de trabalho atual ou a contratação de novos empregados.

Setores mais afetados

A pesquisa aponta que no setor industrial o impacto pode ser ainda mais acentuado, alcançando 11,1% de aumento na folha salarial, dependendo do modelo adotado pelas empresas. Para a indústria, a estimativa de acréscimo anual varia entre R$ 58,5 bilhões e R$ 87,8 bilhões.

Dos 32 setores econômicos avaliados, 21 teriam elevação de custos acima da média. Entre os ramos com maior pressão sobre a folha salarial estão: indústria da construção (aumento estimado entre 8,8% e 13,2%), indústria de transformação (até 11,6%), comércio (entre 8,8% e 12,7%) e agropecuária (entre 7,7% e 13,5%).

Diferença por porte de empresa

A CNI destaca que micro e pequenas empresas industriais seriam particularmente impactadas. Essas empresas concentram uma parcela relevante do emprego formal e apresentam maior proporção de trabalhadores com jornadas superiores a 40 horas semanais. No cenário de pagamento de horas extras, os custos adicionais podem chegar a R$ 6,8 bilhões para empresas com até nove funcionários, o que representaria um aumento de 13% nos gastos com pessoal.

Para companhias com 250 ou mais empregados, o impacto no mesmo cenário pode somar R$ 41,3 bilhões, equivalente a alta de 9,8%. Considerando a alternativa de contratar novos trabalhadores para repor horas, os custos projetados seriam de aproximadamente R$ 4,5 bilhões para microempresas e R$ 27,5 bilhões para grandes empresas.

Imagem: Agencia-brasil

Pressões sobre produtividade e economia

A CNI alerta para possíveis efeitos sobre produtividade, competitividade e indicadores macroeconômicos, advertindo que, sem estratégias para compensar o aumento dos custos de mão de obra, a produção pode ser reduzida, com impactos nas margens, no mercado de trabalho e no potencial de crescimento econômico.

A proposta de alteração da jornada de trabalho tramita no Congresso Nacional e tem gerado debate entre parlamentares, especialistas e setores produtivos, que discutem alternativas que vão desde redução imediata até transições graduais.

Com informações de Portalin