Um programador brasileiro está desenvolvendo uma plataforma que cruza bases de dados públicas com auxílio de inteligência artificial para detectar possíveis irregularidades nas despesas, receitas e patrimônio de parlamentares e candidatos.

O projeto é idealizado por Bruno César e tem como objetivo reunir, em um único ambiente, informações oficiais vindas de órgãos como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Tribunais de Contas, a Câmara dos Deputados, o Senado e outras bases governamentais. A partir do cruzamento automatizado, a ferramenta busca localizar inconsistências, sobreposição de registros e anomalias nas declarações.

Segundo o desenvolvedor, a aplicação permitirá ao usuário pesquisar por CPF e obter uma estimativa de “confiabilidade” do parlamentar em forma de porcentagem. Em imagens divulgadas por Bruno, aparecem indícios como número de funcionários fantasmas, incompatibilidades nos dados de patrimônio e possíveis favorecimentos em contratos públicos.

Versão de testes e código aberto

A ferramenta ainda não foi liberada ao público. Bruno César afirmou em sua conta no X (antigo Twitter) que prepara uma versão de testes voltada, inicialmente, a jornalistas, organizações não governamentais (ONGs) e órgãos de controle. Ele também disse que a liberação do código em formato aberto pode ocorrer futuramente, conforme sejam resolvidas questões técnicas e jurídicas.

Em postagens nas redes sociais, o desenvolvedor mencionou desafios de infraestrutura: o conjunto de dados públicos que alimenta o sistema soma cerca de 1 TB e atualmente roda localmente. Os processos de normalização são feitos com scripts no Codex, enquanto a importação para o grafo é executada em uma máquina com 128 GB de memória utilizando Neo4j. Bruno afirmou também a necessidade de servidores mais rápidos para responder a consultas com agilidade.

Imagem: Divulgação

A repercussão nas redes foi grande: a publicação inicial acumulou mais de 3,9 milhões de visualizações e chegou a alcançar parlamentares como Kim Kataguiri. Entre as reações, houve pedidos para que o código seja disponibilizado com documentação clara, enquanto outros sugeriram eventual comercialização da solução. Em tom bem-humorado, o autor comentou nas postagens que “ama sua vida”, frase que gerou atenção diante do teor do projeto e dos riscos que alguns internautas associaram à iniciativa.

Não há data definida para um lançamento público e o nome oficial da ferramenta não foi revelado. Bruno diz que, assim que os ajustes técnicos e jurídicos estiverem concluídos, iniciará a migração para código aberto e convidará beta testers para avaliar o sistema.

Com informações de Tecmundo