Pesquisadores da área de computação e psicologia afirmam que o uso crescente de chatbots baseados em inteligência artificial (IA) pode levar à padronização da forma como as pessoas escrevem, falam e organizam raciocínios. A conclusão consta de um artigo publicado em meados de março na revista Trends in Cognitive Sciences, no qual os autores apontam risco de redução da diversidade cognitiva conforme mais usuários recorrem às mesmas ferramentas para revisar textos e gerar conteúdo.
O estudo destaca que a difusão dos chamados grandes modelos de linguagem (LLMs) tende a diminuir a variedade de estilos individuais e de perspectivas. Entre as recomendações está a necessidade de que desenvolvedores considerem a pluralidade do mundo real ao selecionar dados de treinamento, tanto para preservar diferenças de pensamento quanto para aprimorar as capacidades de raciocínio das próprias IAs.
Quem e o que dizem os autores
O cientista da computação Zhivar Sourati, professor na Universidade do Sul da Califórnia e autor principal do trabalho, afirma que traços pessoais — como maneiras de escrever, visões e estratégias de argumentação — acabam sendo “diluídos” quando mediadas por LLMs. Segundo os pesquisadores, esse processo de mediação pode padronizar as expressões entre os usuários.
A uniformização mencionada pelos autores não se limita ao estilo textual: também haveria impacto sobre critérios sociais de confiança e de raciocínio considerado apropriado, conformando essas referências aos padrões reproduzidos pelos sistemas automatizados.
Impactos sobre criatividade e diversidade cultural
A equipe cita evidências de que textos gerados por LLMs apresentam variedade menor que textos humanos e que esses modelos costumam refletir valores e formas de pensamento típicos de sociedades descritas pelo acrônimo WEIRD — ocidentais, educadas, industrializadas, ricas e democráticas. Esse viés pode reduzir a representação de outras experiências culturais.
Além disso, os autores apontam que, embora indivíduos que usem IA possam produzir mais ideias isoladamente, grupos que dependem de LLMs tendem a apresentar criatividade inferior em comparação com equipes que mesclam habilidades humanas sem auxílio da tecnologia.
Imagem: Divulgação
Sourati observa também que pessoas que não interagem diretamente com a tecnologia podem sentir pressão social para aderir aos padrões linguísticos e cognitivos majoritários quando estes se tornam amplamente adotados.
Propostas
Como resposta, os pesquisadores sugerem incorporar uma multiplicidade global de perspectivas nos modelos de IA, com o objetivo de preservar o potencial criativo de futuras gerações e evitar a perda de diversidade cognitiva.
Questionada sobre o tema, a própria IA consultada no estudo reconheceu a capacidade de influenciar e uniformizar a comunicação humana, mencionando a tendência a modelar um padrão de escrita “claro e correto” e apontando riscos como a desumanização de interações e o enfraquecimento de vínculos pessoais.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6