A Shell está preparada para aumentar o aporte de capital na Raízen com o objetivo de reforçar as finanças da joint venture e evitar um pedido de recuperação judicial, segundo três fontes familiarizadas com as negociações.

A Raízen, uma das maiores produtoras de açúcar e etanol do mundo e importante distribuidora de combustíveis no Brasil, registrou um prejuízo líquido de R$15,6 bilhões no terceiro trimestre, informou a companhia em meados de fevereiro, acrescentando que existe “incerteza relevante” sobre sua capacidade de seguir em operação.

O endividamento líquido da empresa cresceu significativamente, alcançando R$55,3 bilhões em 31 de dezembro. Fontes apontam que esse quadro decorre de uma combinação de elevados investimentos, condições climáticas adversas e incêndios nas áreas de cana, que reduziram a produtividade agrícola e os volumes de moagem.

Segundo duas das fontes consultadas, a Shell esteve disposta inicialmente a injetar R$2,5 bilhões na Raízen, mas passou a oferecer até R$3,5 bilhões, valor sujeito a determinadas condições. Uma terceira fonte afirmou que o apoio da Shell aumentou nas últimas semanas, mas ressaltou que não há nada definido até a formalização de um acordo, e que a contribuição da empresa listada em Londres poderia ser desproporcional em relação aos demais envolvidos.

Na estrutura societária, Shell e Cosan possuem cada uma 44% da Raízen, enquanto 12% das ações estão em circulação no mercado. A Cosan, que também enfrenta desafios financeiros e está em processo de reestruturação, poderia colaborar com até R$1 bilhão, e Rubens Ometto, presidente do conselho da Raízen e acionista da Cosan, poderia aportar até R$1 bilhão, condicionado a um acordo de financiamento em negociação, segundo as fontes.

Um credor consultado pela Reuters estimou que a Raízen necessitaria de aproximadamente R$25 bilhões para reforçar suas finanças, considerando capital novo e a receita prevista da venda da unidade argentina, que deverá gerar cerca de US$1 bilhão.

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A Shell, a Cosan e Ometto não comentaram o assunto. No início deste mês, a Raízen contratou os escritórios de advocacia Pinheiro Neto e Cleary Gottlieb, além da Rothschild & Co como assessora financeira, para avaliar alternativas estratégicas e financeiras.

O anúncio motivou rebaixamentos rápidos das avaliações de crédito da empresa por agências como S&P Global, Fitch e Moody’s. No relatório, a Moody’s citou como fatores negativos a alta alavancagem, geração persistente de fluxo de caixa negativo, elevado custo com juros e desempenho abaixo do normal no segmento de açúcar e etanol.





A matéria segue sem definição final sobre aportes e negociações entre as partes envolvidas.

Com informações de Infomoney