As borboletas Monarcas realizam migrações que se estendem por milhares de quilômetros entre o Canadá e o México e dependem de um sistema de navegação biológico complexo baseado no campo magnético da Terra. Pesquisas indicam que esse mecanismo duplo — envolvendo olhos e antenas — funciona como uma bússola interna que orienta os insetos durante a longa travessia.

Como funcionam os sensores

Um estudo publicado na revista Nature Communications descreve a cooperação entre antenas e olhos das Monarcas. As borboletas possuem criptocromos, proteínas sensíveis à luz que permitem a detecção visual das linhas magnéticas do planeta, operando de forma análoga a um filtro que sobrepõe informações magnéticas à percepção visual.

Além da capacidade visual, as antenas atuam como receptores do relógio circadiano do animal. Esse relógio interno fornece referência temporal necessária para que as Monarcas corrijam o ângulo de voo à medida que o sol se desloca, mantendo a rota mesmo em dias nublados, quando a posição solar não está disponível.

O papel das antenas

As antenas não servem apenas para tato e olfato: elas captam a posição da luz e transmitem sinais ao cérebro, permitindo ajustes contínuos do ângulo de voo em função da rotação terrestre. Sem o funcionamento adequado dessas estruturas, as borboletas perderiam a capacidade de manter o rumo sudoeste necessário para alcançar os santuários de inverno.

  • Sincronização com o ciclo circadiano de 24 horas;
  • Compensação do movimento aparente do sol durante o voo;
  • Redução dos efeitos de ventos e tempestades sobre a rota;
  • Integração de informações visuais com sensibilidade magnética ocular.

Os destinos finais dessas migrações são os santuários de inverno nas montanhas do centro do México, pontos onde grandes contingentes se reúnem após a longa viagem desde o norte do continente.

Hereditariedade e comparação com outros insetos

Pesquisas sugerem que a sensibilidade magnética é transmitida geneticamente: borboletas que nunca estiveram no México nascem com um “mapa” pré-programado que responde às variações do campo magnético terrestre. Outros insetos, como abelhas e algumas formigas, também exibem orientações que indicam magnetorrecepção, mas o diferencial das Monarcas é a extensão e a precisão do destino alcançado.

Imagem: Divulgação

Efeitos das mudanças ambientais

Alterações climáticas e variações locais no campo magnético podem interferir nos gatilhos que determinam o início da migração. Mudanças extremas de temperatura podem confundir os sensores das antenas, atrasando a partida e expondo as borboletas a invernos antecipados ou à escassez de recursos florais. A preservação dos habitats de repouso e a manutenção das condições ao longo da rota são apontadas como essenciais para a continuidade desse fenômeno migratório.

O sistema combinado de navegação magnética e relógio biológico é, segundo os estudos, um fator central para a sobrevivência e perpetuação das populações migratórias de Monarcas.

Com informações de Olhardigital