TRANSMISSÃO: Band

WASHINGTON — Na madrugada de sábado, 28 de fevereiro de 2026, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou um ataque amplo contra o Irã e pediu publicamente que o povo iraniano derrube o governo do país, segundo comunicado e vídeo divulgados pelo governo americano no momento em que mísseis atingiam Teerã.

Segundo o material divulgado pela administração, o ataque não teria sido motivado por uma ameaça imediata. Autoridades militares e de inteligência citaram que o Irã está hoje mais distante de desenvolver uma arma nuclear do que nos anos recentes, apontando que um ataque anterior de Trump, em junho, atingiu instalações de enriquecimento nuclear do país e reduziu sua capacidade.

A Agência de Inteligência de Defesa dos EUA (DIA) havia estimado no ano passado que seriam necessários cerca de dez anos para que o Irã superasse obstáculos técnicos e de produção e montasse um arsenal nuclear significativo. Não havia, segundo relatos oficiais, indícios de um ataque iraniano iminente contra os Estados Unidos, seus aliados ou bases americanas na região.

Nas declarações públicas, Trump alegou que o Irã buscava capacidade de atingir os Estados Unidos com mísseis, mas não apresentou novas evidências que justificassem a ação imediata. Em vídeo de aproximadamente oito minutos, o presidente listou acusações históricas contra a República Islâmica e afirmou que a paciência americana havia se esgotado.

Autoridades americanas batizaram a operação de “Operação Fúria Épica”. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que vinha pressionando por ação desde dezembro, participou da operação desde o início, segundo relatos.

Altos representantes de pelo menos três aliados dos EUA, da Europa ao Golfo Pérsico, afirmaram em entrevistas que ouviram pouca justificativa jurídica e pouco entusiasmo por parte de conselheiros de Trump. Em resposta a preocupações aliadas, o Reino Unido vetou o uso de Diego Garcia e de outras bases em seu território para lançamentos de aviões e bombardeiros americanos.

Especialistas citados em reportagens compararam a decisão a guerras de escolha do passado, observando que havia alternativas como pressão diplomática, sanções e bloqueios. Richard N. Haass, ex-presidente do Council on Foreign Relations, afirmou que a ação se assemelha a um ataque preventivo clássico e questionou a razão de agir neste momento, dado que havia outras opções disponíveis.

Imagem: Divulgação

Na esfera legal, críticos apontam que um ataque preventivo para antecipar uma ameaça remota pode ser considerado ilegítimo sob o direito internacional, distinção que o governo Trump pareceu descartar em declarações anteriores do presidente. Em entrevista ao The New York Times, Trump disse em janeiro: “Eu não preciso de direito internacional”, acrescentando que caberia a ele decidir quando esses princípios se aplicam aos Estados Unidos.

O presidente também não solicitou ao Congresso autorização formal para o uso da força nem declarou oficialmente estado de guerra, medidas históricas que outros presidentes já contornaram em operações militares de grande escala.

Enquanto a administração justifica a ação como resposta a um histórico de agressões iranianas acumuladas ao longo de quase cinco décadas, autoridades e analistas aliados permanecem divididos sobre a necessidade e o momento da intervenção.

Ao citar precedentes históricos, o episódio ressalta o aviso clássico de que líderes que optam pela guerra enfrentam eventos imprevisíveis e perdem parte do controle sobre as consequências de suas decisões.

Com informações de Infomoney