TRANSMISSÃO: Band

O Google ampliou as funções do Gemini com o lançamento do modelo Lyria 3, capaz de gerar faixas de até 30 segundos a partir de instruções simples. A ferramenta aceita prompts que indiquem gênero e tema, além de permitir o envio de imagens ou vídeos para orientar a composição; também pode produzir uma capa para o single. A empresa descreve o recurso como uma forma lúdica de estimular a criatividade dos usuários.

É possível publicar essas músicas em serviços de streaming?

Sim. Atualmente não existem regras específicas em plataformas como Spotify, Deezer, Apple Music e Amazon Music que impeçam a publicação de faixas criadas por inteligência artificial, incluindo as produzidas com o Lyria 3. Segundo Paulo Henrique Fernandes, advogado e head de produtos e tecnologia da V+ Tech, o fato de uma música ter sido gerada por essa ferramenta integrada ao Gemini não a torna ilegal nem impede seu envio aos streamings.

Fernandes alerta, porém, que a principal preocupação não é a utilização de IA em si, e sim potenciais infrações relacionadas à propriedade intelectual. Ou seja, problemas podem surgir quando uma faixa reproduz, sem autorização, elementos identificáveis de obras já existentes — como vozes clonadas, melodias ou arranjos fortemente semelhantes.

O Google afirma que o Lyria 3 usa trabalhos de artistas apenas como “inspiração criativa” e não para efetuar imitações. Ainda assim, casos de similaridade estrutural relevante em melodia, harmonia, letra ou arranjo podem dar margem a alegações de plágio, segundo o advogado. No Brasil, essas questões são regulamentadas pela Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/1998), que protege músicas, partituras e produções sonoras, garantindo direitos ao autor desde a criação da obra.

Como os serviços estão reagindo

Com o aumento de conteúdos gerados por IA, plataformas de streaming têm implementado mecanismos para identificar e mitigar efeitos de uploads fraudulentos ou em massa. A Deezer, por exemplo, opera desde 2025 uma ferramenta que detecta músicas produzidas integralmente por IA e rotula essas faixas. A empresa informou que, em 2025, identificou cerca de 13,4 milhões de faixas geradas por inteligência artificial na plataforma — volume que representa entre 1% e 3% dos streams — e concluiu que 85% das execuções de conteúdos sem intervenção humana estavam vinculadas a práticas fraudulentas.

Imagem: João Melo/Canaltech

Entre as medidas adotadas após a identificação estão a exclusão de streams fraudulentos do cálculo de royalties, a retirada de faixas totalmente sintéticas das recomendações algorítmicas e a não inclusão dessas músicas em playlists editoriais. O Spotify, por sua vez, comunicou diretrizes para coibir clonagem de voz sem autorização e reforçou controles contra spam, como uploads em massa, duplicatas e o uso repetido de faixas artificialmente curtas. A plataforma também informou ter removido 75 milhões de faixas classificadas como spam entre setembro de 2024 e setembro de 2025.

O Canaltech procurou Amazon Music e Apple Music para obter informações sobre mecanismos de identificação e números relativos a músicas geradas por IA, mas não recebeu retorno até a publicação da matéria.




O uso do Lyria 3 para criar músicas pode, portanto, resultar em publicações nos serviços de streaming, desde que os conteúdos não violem direitos autorais nem façam uso indevido da identidade de artistas ou de obras protegidas.

Com informações de Canaltech