Pesquisas em evolução humana tentam explicar por que a canhotice persiste, apesar de cerca de 90% da população mundial ser destra. Especialistas afirmam que, ao contrário do esperado pela seleção natural, a presença de canhotos se manteve estável ao longo das gerações e pode trazer vantagens adaptativas em diferentes contextos.

Origem e persistência da canhotice

Estudos e revisões científicas indicam que a lateralidade manual esquerda acompanha a espécie humana desde a pré-história. Uma das explicações apontadas é a seleção dependente da frequência, segundo a qual traços raros podem oferecer benefícios quando são incomuns na população. Nesse cenário, a minoria canhota teria tido vantagens em situações de confronto, quando a imprevisibilidade dos ataques pelo lado esquerdo surpreendia adversários destros.

Vantagens em diferentes períodos históricos

Na pré-história, a capacidade de atacar ou defender-se a partir do lado esquerdo poderia aumentar as chances de sobrevivência em combates corpo a corpo ou na caça. Em sociedades antigas, essa diferença lateral continuou sendo útil em duelos e disputas físicas, contribuindo para a manutenção da característica entre humanos.

Impactos na era moderna

No contexto contemporâneo, pesquisadores sugerem que viver num ambiente projetado majoritariamente para destros obriga canhotos a desenvolver estratégias alternativas para usar ferramentas e objetos cotidianos. Essa adaptação contínua favoreceria a flexibilidade cognitiva, estimulando habilidades de resolução de problemas e pensamento criativo, o que pode traduzir-se em inovação.

Competitividade e diversidade social

Outra explicação aceita relaciona a permanência dos canhotos a um equilíbrio evolutivo entre cooperação e competição. Enquanto a predominância de destros favorece padronização e cooperação social, a minoria canhota introduz variação comportamental que pode ser vantajosa em contextos competitivos, inclusive em alguns esportes, pela raridade da lateralidade.

Imagem: Divulgação

Em síntese, a manutenção de aproximadamente 10% de canhotos na população humana é atribuída a vantagens situacionais em combates históricos, à necessidade de adaptação a um mundo desenvolvido para destros e ao papel da diversidade cognitiva na geração de soluções novas. Esses fatores, juntos, ajudam a explicar por que a canhotice não foi eliminada pela evolução e continua presente nas sociedades humanas.

Com informações de Olhardigital