Transmissão: Record

A produção industrial brasileira cresceu 1,8% em janeiro na comparação com dezembro, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira, 6. O resultado reverte parte das perdas acumuladas no final de 2025 e representa a maior alta mensal desde junho de 2024, quando houve crescimento de 4,4%.

Na comparação anual, a indústria registrou alta de 0,2% em janeiro. No acumulado dos últimos 12 meses até janeiro, o setor apresenta aumento de 0,5%.

Destaques do mês

O avanço mensal foi influenciado principalmente por produtos químicos (6,2%), veículos automotores (6,3%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2%). No segmento de produtos químicos, o resultado foi puxado por adubos e fertilizantes, herbicidas e fungicidas. No setor automotivo, caminhões e autopeças se destacaram.

Outros ramos com contribuições positivas relevantes foram indústrias extrativas (1,2%), metalurgia (4,1%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (6,5%), bebidas (4,1%), produtos de metal (2,3%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (3,3%).

O IBGE observou que parte do forte crescimento mensal de janeiro decorre da queda acentuada de dezembro de 2025 (-1,9%), a mais intensa desde março de 2021 (-2,1%). Em novembro houve recuo de 0,2% e em outubro a indústria cresceu 0,1%.

“Com esses resultados, a produção industrial se encontra 1,8% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas ainda está 15,3% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011”, destacou o IBGE.

André Macedo, gerente da PIM, ressaltou que o avanço de janeiro é relevante, porém insuficiente para compensar totalmente as perdas entre setembro e dezembro, de modo que permanece um saldo negativo de 0,8%.

IBGE: produção industrial avança 1,8% em janeiro após duas quedas consecutivas

Imagem: Adobe Stock

Expectativas e contexto

O desempenho ficou acima das previsões; pesquisa da Reuters com economistas esperava alta de 0,7% na base mensal e queda de 0,7% na comparação anual. Dados do Produto Interno Bruto indicam que a indústria cresceu 1,4% em 2025, desacelerando frente ao avanço de 3,1% em 2024.

Com a taxa Selic em 15%, o mercado projeta início de cortes já na reunião de 17 e 18 de março, o que pode favorecer a indústria em um cenário de inflação mais baixa e mercado de trabalho relativamente forte. No entanto, o IBGE e analistas alertam que fatores externos, como a guerra no Oriente Médio, podem afetar as perspectivas.

Para André Valério, economista sênior do Inter, apesar da surpresa positiva em janeiro, o panorama setorial segue marcado por desaceleração, com impactos de juros elevados e medidas tarifárias externas que afetaram a indústria de transformação.

O resultado de janeiro representa, portanto, uma recuperação parcial do setor industrial, sem eliminar totalmente as perdas registradas no fim de 2025.

Com informações de Borainvestir.b3