Leitores relatam dificuldade para concluir livros e pesquisadores afirmam que a perda da prática de leitura profunda tem impacto no funcionamento cerebral. Especialistas oferecem um conjunto de medidas práticas para reconquistar a atenção e a capacidade de leitura sustentada.
Quem percebe a dificuldade inclui a escritora Katherine May, que relatou em seu boletim informativo que, junto a outras pessoas, tem sentido que “parou de conseguir ler”. Pesquisas apontam que esse fenômeno não é isolado: o número de norte-americanos que leem livros em um dia qualquer caiu 40% entre 2003 e 2023.
O que a neurociência mostra
Estudos apontam que padrões de movimento ocular mudam conforme o modo de leitura: folhear rapidamente produz um padrão diferente daquele observado quando o leitor está profundamente envolvido com um texto. Pesquisadores associam esses distintos movimentos oculares a diferentes estados de atividade cerebral.
A neurocientista Maryanne Wolf, formada em Harvard, explica que a leitura superficial reduz o tempo destinado aos processos de leitura profunda, comprometendo a capacidade de captar complexidades, identificar emoções, perceber a beleza do texto e gerar pensamentos originais. Segundo ela, essa tendência também favorece retraimento em “silos” de informação não verificados, tornando leitores mais vulneráveis a desinformação e discursos demagógicos.
O docente Joseph Henrich, também ligado a Harvard, descreveu como a prática da leitura altera o cérebro: cria uma área especializada no ventral temporal occipital esquerdo, desloca o reconhecimento facial para o hemisfério direito, aumenta a memória verbal e fortalece o corpo caloso, via que conecta os hemisférios cerebrais. Em termos práticos, a leitura profunda reconfigura circuitos neurais que sustentam pensamento complexo; sem essa prática, tais circuitos podem enfraquecer.
Como recomeçar a ler segundo a ciência
Especialistas citados em um artigo no The Conversation — o cientista cognitivo Jeff Saerys-Foy e o especialista em alfabetização JT Torres — propõem um plano simples e orientado para readquirir a prática da leitura profunda. As recomendações incluem:
1. Motive-se com a ciência. Lembrar-se das evidências de como a leitura profunda afeta o cérebro pode fornecer incentivo para exercitar essa habilidade.
2. Diminua o ritmo intencionalmente. Ler com atenção exige reduzir a velocidade para lidar com trechos complexos, saborear a prosa e refletir sobre o significado, em vez de apenas extrair informação.
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3. Comece com leituras mais curtas. Se um romance longo parecer intimidador, optar por poemas, contos ou ensaios pode facilitar o retorno à leitura continuada.
4. Encontre um parceiro de leitura. Compartilhar metas com um amigo ou familiar ajuda a manter foco e compromisso para concluir um livro.
5. Leia em pequenas partes. Estabelecer metas diárias — como um capítulo ou um número fixo de páginas — e discutir regularmente o conteúdo com outra pessoa pode reforçar a prática; formatos digitais e redes sociais literárias também podem apoiar essa rotina.
Além dessas orientações, sugestões práticas como reler títulos favoritos, experimentar audiolivros e reduzir o uso do celular durante a leitura aparecem como medidas auxiliares para recuperar o hábito.
O primeiro passo, dizem os especialistas, é simples e direto: pegar um livro e se comprometer novamente com a leitura de textos longos, permitindo que o cérebro readapte seus circuitos para o pensamento sustentado e abstrato.
Com informações de Fastcompanybrasil

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6