Pesquisadores desenvolveram uma técnica que transforma resíduos plásticos em ácido acético, principal componente do vinagre, empregando luz solar e catalisadores à base de ferro. O processo, apontado como sustentável, reduz a necessidade de altas temperaturas e evita emissões nocivas associadas à incineração.

Como funciona a reação

O método utiliza a energia solar para ativar um catalisador de ferro que fragmenta os polímeros. A quebra das cadeias plásticas gera pequenas moléculas cuja principal forma identificada é o ácido acético. Segundo os autores do estudo, a reação pode ser realizada sem aquecimento intenso e aproveita a luz do sol como fonte energética limpa.

Quais materiais podem ser processados

O processo demonstrou eficácia em diferentes tipos de plástico comumente descartados, incluindo PVC (usado em canos e embalagens), polietileno (PE, presente em sacolas e filmes plásticos), polipropileno (PP) e PET (garrafas e frascos). Os pesquisadores relatam que a técnica funciona mesmo quando os resíduos são misturas complexas, o que amplia seu potencial de aplicação em fluxos de resíduos reais.

Resultados do estudo

De acordo com dados do estudo realizado pela University of Waterloo, o método de fotocatálise com luz solar e ferro apresentou rendimento controlado na conversão dos plásticos em ácido acético. Os responsáveis pela pesquisa destacam a capacidade de operar em ambientes aquosos e de tratar diferentes frações de material plástico sem necessidade de separação prévia rigorosa.

Benefícios e possíveis usos

Além de diminuir a poluição por plásticos, a técnica evita emissões adicionais de dióxido de carbono associadas a processos térmicos como a incineração. O ácido acético gerado pode ser aproveitado por indústrias químicas, alimentícias e energéticas, oferecendo uma rota para transformar resíduos em matérias-primas valiosas e apoiar modelos de economia circular.

Imagem: Divulgação

Aplicação a microplásticos

O procedimento ocorre em meio aquoso, o que permite o tratamento de microplásticos presentes em rios, lagos e oceanos. Embora os experimentos descritos ainda sejam de escala laboratorial, os autores sugerem que a abordagem tem potencial para ser integrada a estações de tratamento de água ou a unidades modulares voltadas à mitigação da poluição por plásticos.

O avanço combina aproveitamento industrial de resíduos com preocupação ambiental, sem anunciar, no texto do estudo, uma implementação comercial imediata.

Com informações de Olhardigital