O documentário Cheiro de Diesel, vencedor do Prêmio Especial do Júri e do prêmio de Melhor Documentário pelo Voto Popular no Festival do Rio, entra em circuito comercial no Brasil a partir de 2 de abril. Dirigido por Natasha Neri e Gizele Martins e distribuído pela Descoloniza Filmes, o longa retrata os efeitos das ocupações militares em comunidades do Rio de Janeiro.
Lançamento e simbologia das datas
A data de estreia foi escolhida por sua carga simbólica: abril marca os 62 anos do golpe militar (1º de abril) e os 12 anos da invasão das Forças Armadas na Favela da Maré (5 de abril de 2014), intervenção realizada sob a justificativa de “pacificação”.
O que o filme mostra
O filme documenta relatos de moradores das favelas da Maré e da Penha, além de depoimentos do Morro do Salgueiro, em São Gonçalo, sobre a presença de tanques e efetivos militares durante ocupações autorizadas por decretos de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). As ocupações retratadas ocorreram nos períodos de 2014 a 2015 — etapa preparatória para a Copa do Mundo — e entre 2017 e 2018.
Entre as denúncias registradas estão ameaças repetidas a residentes e relatos de tortura em uma chamada “sala vermelha” dentro de um quartel do Exército, além de operações que envolveram revista constante a casas, invasão de escolas e postos de saúde e ataques à atuação de comunicadores comunitários.
Gizele Martins, codiretora do documentário, afirma que a rotina imposta pelas ocupações incluiu invasões a serviços públicos e privados, assassinatos e censura, e que a Maré funcionou como um experimento que se repetiu em outras favelas do Rio durante o governo de Michel Temer.
Direção e currículo das diretoras
A direção é assinada por duas profissionais com atuação na área:
Imagem: Divulgação
- Natasha Neri: jornalista e cineasta, com mestrado em Antropologia e Direitos Humanos. Ela dirigiu Auto de Resistência, vencedor do festival É Tudo Verdade em 2018.
- Gizele Martins: jornalista nascida na Favela da Maré, doutora em Comunicação e vencedora do Prêmio Vladimir Herzog em 2024. Autora do livro “Militarização e Censura”, esta é sua estreia na direção de longa-metragem.
Sinopse e equipe técnica
Cheiro de Diesel registra traumas coletivos decorrentes da militarização de favelas cariocas durante os megaeventos esportivos, dando voz a moradores que buscam justiça e reparação por violações de direitos humanos. A produção é assinada por Mariana Genescá e Gabriel Medeiros; o roteiro tem autoria de Gizele Martins, Natasha Neri e Juliana Farias. A montagem ficou por conta de Gabriel Medeiros, com trilha original de Alberto Continentino.
O filme é coproduzido pelo Canal Brasil, com apoio e parceria da RioFilme, e será distribuído pela Descoloniza Filmes.
O longa chega aos cinemas nacionais em 2 de abril, dando continuidade à circulação iniciada no Festival do Rio, onde recebeu reconhecimento do júri e do público.
Com informações de Jornaldorap

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6