O derretimento acelerado das geleiras no Ártico vem forçando ursos polares a desenvolver modificações genéticas em tempo recorde. Pesquisa publicada pela Springer Nature revela que mutações específicas estão permitindo a esses animais manter a saúde metabólica mesmo após mudanças drásticas nos hábitos de caça e na dieta provocadas pela redução da cobertura de gelo.

Mutações e benefícios emergentes

Segundo o estudo, algumas alterações no DNA dos ursos polares atuam em mecanismos de regulação energética e na prevenção de doenças relacionadas ao metabolismo de gorduras. Entre as principais adaptações identificadas estão:

  • Otimização do sistema cardiovascular para processar dietas mais variadas.
  • Aumento da plasticidade comportamental por meio de heranças epigenéticas.
  • Maior capacidade de armazenar reservas de energia em períodos prolongados de escassez.

Comparação com o urso pardo

Para entender a especificidade dessas mudanças, pesquisadores compararam o genoma do urso polar com o do urso pardo, seu parente mais próximo. As principais diferenças envolvem:

  • Metabolismo de lipídios: o urso polar exibe especialização para digerir grandes quantidades de gordura, enquanto o pardo mantém um perfil mais generalista.
  • Resistência térmica: a camada de gordura do urso polar é mais espessa e adaptada ao frio extremo; o pardo ajusta sua pelagem às estações.
  • Capacidade cardíaca: o sistema cardiovascular do urso polar está reforçado para lidar com altos níveis de colesterol, ao passo que o pardo apresenta conformação típica de mamíferos terrestres.

Impactos ambientais e conservação

Embora a plasticidade genética dos ursos polares abra uma janela para intervenções biotecnológicas, os cientistas alertam que essas mutações não substituem a necessidade de conservar o habitat natural. A pesquisa reforça que a sobrevivência da espécie depende tanto da evolução interna quanto de esforços para frear as alterações climáticas e preservar o Ártico.

Imagem: Ap

O monitoramento dessas mudanças genéticas também pode fornecer modelos para avaliar como outras espécies poderão responder ao aquecimento global, oferecendo subsídios para formular estratégias de preservação mais eficazes.

Com informações de Olhardigital