Porto, por intermédio de sua subsidiária de planos de saúde, a Porto Saúde, está analisando a possibilidade de investir R$ 1 bilhão na Oncoclínicas, principal parceira da companhia no atendimento a pacientes com câncer, apurou o InvestNews. A informação foi antecipada pelo Brazil Journal.

Segundo apuração, o plano prevê a segregação das clínicas da Oncoclínicas em uma nova subsidiária, da qual a Porto Saúde passaria a ser acionista. Ficariam fora dessa operação os hospitais do grupo e a unidade operada na Arábia Saudita.

As duas empresas teriam assinado um memorando de entendimento, que, conforme reportado, foi aprovado pelo conselho da Oncoclínicas por cinco votos a dois. Em comunicado ao mercado, a Porto informou que “avalia de forma permanente a possibilidade de potenciais investimentos em diversos negócios e verticais, incluindo no que se refere a certos negócios explorados pela Oncoclínicas”, e ressaltou não existir, até o momento, documento vinculante assinado.

O aporte proposto seria de R$ 1 bilhão, dividido em R$ 500 milhões em equity e R$ 500 milhões em dívida conversível em ações. A capitalização, porém, estaria condicionada à realização de due diligence sobre os ativos envolvidos.

Fontes consultadas pelo InvestNews indicam que, antes de um eventual aporte, há expectativa de negociação entre a Oncoclínicas e seus credores para reperfilamento da dívida, que totalizou R$ 4 bilhões ao fim do terceiro trimestre, equivalendo a 4,2 vezes o Ebitda da companhia.

A situação é agravada pela relação da Oncoclínicas com o banco Master: o grupo reconheceu perda de R$ 217 milhões em CDBs do banco, fator que torna as tratativas mais complexas. Uma pessoa próxima à operação afirmou que a definição da proposta “não é simples e ainda tem muita água para rolar”. Outra fonte familiarizada com a operação considerou difícil que os credores aceitem o acordo, questionando: “Quem ficaria com os hospitais?”

Imagem: Divulgação

Porto e Oncoclínicas

A Porto paga cerca de R$ 500 milhões por ano à rede especializada da Oncoclínicas, o que demonstra a dependência dos serviços do grupo. Em relatório de setembro de 2025, a equipe do BTG Pactual estimou que a oncologia — principalmente infusões sem cirurgia e tratamentos relacionados — respondeu por cerca de 15% do gasto total com saúde suplementar em 2024. A Organização Mundial da Saúde projeta 35 milhões de casos de câncer em 2050, alta de 77% em relação a 2022.

Fundada em 2010, a Oncoclínicas detém aproximadamente 15% do mercado e oferta tratamentos com custo inferior a parte dos concorrentes: infusões de quimioterapia custam cerca de R$ 10 mil por procedimento, ante quase R$ 15 mil praticados pela Rede D’Or. O grupo concentra cerca de 18% da mão de obra de oncologistas no país.





Procuradas, Oncoclínicas e Porto não responderam até a publicação desta reportagem.

Com informações de Investnews