Mercado de relógios de luxo passa a permitir apostas por meio de contratos de evento

Empresas do mercado de previsões financeiras anunciaram a criação de contratos de evento vinculados a relógios de alto padrão, permitindo que entusiastas negociem resultados sobre preços e lançamentos de modelos de marcas como Rolex e Patek Philippe.

A Kalshi Inc. firmou parceria com o marketplace de relógios Bezel para desenvolver instrumentos que possibilitam apostas sobre movimentos de preço e sobre se determinados modelos serão descontinuados, segundo executivos das companhias. Os contratos funcionam como mercados de previsão, em que usuários compram e vendem posições atreladas a desfechos reais.

Esses produtos ampliam uma tendência já vista em outros colecionáveis, como tênis e cartas de Labubus e Pokémon, nos quais contratos permitem negociar probabilidades de eventos específicos. A Bezel criou uma ferramenta matemática própria que precifica relógios com base em dados de vendas em tempo real; essa metodologia será incorporada à plataforma da Kalshi para compor os contratos de evento.

Quaid Walker, CEO e cofundador da Bezel, afirmou em entrevista que, embora relógios sejam tratados há muito tempo como um mercado financeiro, há também um forte componente emocional: muitos colecionadores preservam peças por gosto pessoal e por uso diário.

A Kalshi, fundada em 2018 por dois ex-alunos do Massachusetts Institute of Technology (MIT), oferece contratos ligados a eventos do mundo real, como esportes e política, e é licenciada e supervisionada pela Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA (CFTC). A empresa, avaliada em US$ 11 bilhões, fechou recentemente um acordo com a Tradeweb Markets Inc. para transmitir seus preços e dados a gestoras de investimento.

O crescimento desses mercados de previsão traz desafios regulatórios e operacionais. Autoridades de diversos estados dos EUA questionaram parte das atividades, alegando que contratos ligados a esportes configuram apostas, e não derivados, e existem preocupações sobre manipulação de mercado e uso de informação privilegiada. Em um episódio recente, no fim de semana em que bombas dos EUA e de Israel caíram sobre o Irã, houve corridas especulativas de traders buscando lucro em contratos relacionados ao conflito.

Imagem: Divulgação

Na plataforma Polymarket, contratos vinculados ao momento dos ataques dos EUA já registraram mais de US$ 529 milhões em volume e foram alvo de questionamentos sobre a possibilidade de ganhos por quem teria informação privilegiada.

Executivos da Bezel afirmam que os contratos de evento podem reduzir a barreira de entrada para participar do mercado de relógios de luxo — cujo preço de algumas peças chega a milhões de dólares — ao permitir exposição ao segmento com capital reduzido, potencialmente atraindo mais interessados para o hobby.

Com informações de Infomoney