TRANSMISSÃO: Record
O aumento abrupto do preço do petróleo e a escalada da guerra no Irã provocaram pânico nas salas de negociação e sobrecarregaram traders e estrategistas ao redor do mundo. Às 1h da manhã em Londres, o estrategista Michael Brown, da corretora Pepperstone, foi acordado por uma sequência de notificações no celular informando que o Brent havia ultrapassado US$ 100 o barril e depois os US$ 110, que os futuros do Nasdaq haviam caído 2% e que o Nikkei recuara 5%.
Brown diz ter ligado o computador e passado a manhã atendendo clientes na Ásia. Em Singapura, Gerald Gan, diretor de investimentos da Reed Capital Partners, também foi despertado por clientes que já registravam perdas significativas em ações e pediam orientações para proteger carteiras. Nos Estados Unidos, o trader de commodities Dennis Kissler, da BOK Financial Securities, recebeu uma avalanche de ordens de executivos de empresas de shale querendo travar preços mais altos e passou o dia com até três linhas telefônicas simultâneas.
Pico de Volatilidade
As oscilações recentes foram alimentadas tanto por movimentos reais de oferta quanto por manchetes — mesmo imprecisas — que provocaram reações em cadeia. Um exemplo citado é uma publicação do secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, informando que a marinha escoltara um petroleiro pelo Estreito de Hormuz.
No pregão de segunda-feira, o WTI chegou a registrar alta intradiária de 31% pela manhã, mas apagou quase toda essa alta ao longo do dia após o presidente Donald Trump indicar que o conflito poderia estar chegando ao fim; o S&P 500, que chegou a cair 1,5%, reverteu perdas na última hora e teve seu maior ganho em um mês. Ainda assim, operadores avaliam que a volatilidade pode se estender por semanas ou meses, dado o caráter imprevisível de uma guerra real.
Alguns dos maiores fundos do mercado também foram afetados — entre eles Pacific Investment Management, Citadel e ExodusPoint Capital Management — num movimento que derrubou ou elevou fortunas em curtos períodos. “Sempre há alguém que se machuca”, afirma Kissler. Ele acrescenta: “se você não prestar atenção, fizer algo errado, pode perder um milhão de dólares em dois segundos.”
Além da velocidade dos movimentos, chama a atenção que ativos considerados refúgio, com exceção do dólar, não protegeram os investidores. Ouro, iene, franco suíço e títulos do governo americano registraram quedas enquanto os preços da energia disparavam, alimentando temores de inflação e pressionando taxas de juros.
Raymond Lee, CIO da Torica Capital em Sydney, relata que, ao ver os preços do petróleo subirem e os Treasuries caírem, ordenou a venda de contratos futuros de títulos de dois anos que sua equipe possuía. “Negociar taxas era como negociar petróleo”, disse Lee, argumentando que não queria permanecer exposto até que a situação se estabilizasse.
Imagem: Getty
O agravamento nos níveis de oferta foi confirmado pela Agência Internacional de Energia: com o Estreito de Hormuz praticamente fechado — rota que transporta cerca de um quinto da oferta mundial —, a IEA estima que cerca de 8 milhões de barris por dia sairão do mercado neste mês, descrevendo a situação como “a maior interrupção de oferta” já registrada.
Os efeitos têm sido mais severos na Ásia, dependente de combustíveis do Oriente Médio: moedas como a da Índia, Indonésia e Filipinas atingiram mínimas históricas, e cinco das 10 piores quedas de ações no mês ocorreram na região. O índice Kospi, da Coreia do Sul, recuou mais de 7% em 3 de março e registrou uma queda recorde de 12% no dia seguinte, antes de recuperar parte das perdas em sessão seguintes extremamente voláteis.
Kissler, com décadas de experiência em mercados de energia, diz que o fluxo de ordens observado naquela manhã foi incomum mesmo diante de choques anteriores — Guerra do Golfo, Iraque, crise de 2008, pandemia e guerra na Ucrânia — e recomenda manter equipes nas mesas de negociação totalmente atentas. Um detalhe prático de sua rotina: reduzir consumo de café e água para minimizar saídas e “não tirar os olhos da tela”.
Em Singapura, Gan segue colado às telas desde as primeiras horas, preparado para mais sessões agitadas. “Tem sido uma montanha-russa”, afirmou, preparando-se para semanas similares de volatilidade.
As movimentações reforçam que, enquanto a guerra continuar, operadores e investidores devem conviver com rápidas reviravoltas nos preços e com impacto direto em carteiras e estratégias de hedge.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6