A capacidade de atenção humana diminuiu de forma acentuada nos últimos anos, e medidas como a proibição de celulares em salas de aula já mostram efeitos em alguns lugares. Em um grande distrito urbano da Flórida, nos Estados Unidos, a retirada dos aparelhos das salas, dois anos após a aplicação da regra, foi associada a uma elevação nas notas dos alunos, em parte atribuída à maior concentração nas tarefas. Pesquisa em escolas públicas de Ohio apontou que 68% dos diretores relatam que estudantes conseguem permanecer em uma mesma atividade por mais de 20 minutos sem recorrer a pausas digitais.

Proibir celulares em ambientes escolares é uma solução localizada; limitar o uso de dispositivos na vida adulta, porém, é muito mais complexo, e a atenção continua em queda entre adultos. A pesquisadora Gloria Mark, da Universidade da Califórnia, mostrou que em 2004 a pessoa média mantinha o foco em uma única tela por cerca de dois minutos e meio. Em 2016, esse tempo havia caído para 47 segundos — uma redução estimada em aproximadamente 69%.

O cotidiano moderno está repleto de estímulos: redes sociais que disparam picos de dopamina, notificações de e-mail, Slack e Discord que interrompem momentos de fluxo, além de programas de TV e vídeos que adotam cortes rápidos. Há ainda preocupações sobre o impacto da inteligência artificial na capacidade de pensamento crítico. No ambiente de trabalho, a Microsoft, no relatório Work Trend Index 2025, constatou que o trabalhador de escritório é interrompido, em média, a cada dois minutos, recebendo cerca de 92 e-mails por dia (excluindo o pessoal) e 153 mensagens no Teams.

Apesar desse cenário, Gloria Mark observa que o cérebro não é projetado para atenção contínua e que algum grau de dispersão pode ser benéfico. Atividades consideradas sem propósito, como jogos simples, podem restaurar recursos mentais e favorecer o surgimento de novas ideias, segundo Mark em seu livro “Attention Span: A Groundbreaking Way to Restore Balance, Happiness and Productivity”.

LER LIVROS FAZ BEM

Entre as recomendações para recuperar o foco, especialistas defendem afastar o celular fisicamente para reduzir a tentação. A neurocientista Maryanne Wolf afirma que a leitura, especialmente em papel, modifica o funcionamento cerebral. Boa parte da leitura em telas costuma ser superficial, dedicada a localizar palavras-chave, e isso impede um envolvimento mais profundo com o texto. Ler em papel exige desaceleração e mais atenção, enquanto a leitura digital tende a fomentar uma versão “curto-circuitada” do processo cognitivo.

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Dados da 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (2024) indicam que 53% da população não leu nenhum livro, parcial ou totalmente, nos últimos três meses, e que a média anual de livros lidos fica entre 2,4 e 2,6. Nos Estados Unidos, estudo de 2025 da Universidade da Flórida mostrou que a proporção de pessoas que leem por prazer caiu 40% em duas décadas. Jill Sonke, diretora de iniciativas de pesquisa do Centro de Artes e Medicina da universidade, descreve a redução como um declínio constante de cerca de 3% ao ano.

Para quem busca recuperar a concentração, as orientações incluem reduzir o acesso imediato ao celular e privilegiar leituras mais lentas e profundas, práticas que, segundo especialistas citados, ajudam a restaurar atenção e capacidade de pensamento mais crítico.

Com informações de Fastcompanybrasil