O governo anunciou um imposto de exportação de 12% sobre o petróleo bruto, válido inicialmente por quatro meses, como parte de um pacote destinado a reduzir os preços internos dos combustíveis. A medida, divulgada na quinta (12), busca compensar o PIS/Cofins zerado sobre o diesel e um auxílio de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores do combustível, num momento em que o barril ultrapassou US$ 100 após o início da guerra envolvendo o Irã.
O impacto do tributo varia conforme o perfil de cada empresa. A seguir, o efeito esperado sobre Petrobras, Prio, Brava Energia e PetroReconcavo, com base em projeções de analistas e dados operacionais.
Petrobras
A Petrobras deve sentir o imposto de maneira mais amena devido ao seu parque de refino. A estatal aumentou o preço do diesel na saída das refinarias em 11,6% para reduzir a defasagem entre os preços domésticos e internacionais; com isso, parte do efeito do tributo sobre a parcela exportada do óleo cru é compensada. O custo de extração da companhia é baixo, cerca de US$ 9 por barril. No quarto trimestre de 2025, a empresa registrou um Ebitda equivalente a US$ 10,9 bilhões considerando um Brent entre US$ 60 e US$ 65.
Antes do conflito envolvendo o Irã, o barril já estava em torno de US$ 73. Mesmo com um eventual cessar-fogo, a normalização da produção em países árabes pode levar semanas ou meses, segundo a Agência Internacional de Energia, o que mantém pressão sobre a oferta e favorece petroleiras com capacidade de refino no Brasil.
Prio
A Prio exporta toda a sua produção e não dispõe de refinaria para compensar a nova taxa, o que a torna mais exposta ao imposto de 12%. O Safra projeta uma queda de 15% no lucro operacional previsto para 2026 caso a taxação se mantenha até dezembro, premissando um Brent médio de US$ 70. Se o preço do barril permanecer acima desse patamar, o efeito negativo tende a ser menor.
A empresa está em expansão: entrou em operação o campo Wahoo, com capacidade para 40 mil barris por dia. O Itaú BBA estima que a produção da Prio atinja 201 mil bpd neste ano, ante 106 mil bpd em 2025.
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Brava Energia e PetroReconcavo
A Brava exporta cerca de um terço da produção, por isso o Safra projeta impacto menor — redução de 7% no lucro operacional em 2026 — além de contar com a refinaria de Camarão (RN), que ajuda a mitigar o efeito pela ampliação das margens de diesel. A companhia produziu 80 mil bpd em 2025, cresceu 46% no ano anterior e reverteu um prejuízo de R$ 1,1 bilhão para lucro de R$ 1,5 bilhão; o plano é chegar a 100 mil bpd em 2027.
Na PetroReconcavo, o efeito é considerado desprezível. Focada em campos maduros onshore no Nordeste, com produção de 24 mil bpd e baixa exposição à exportação, a empresa praticamente não seria afetada pela taxa, segundo o Safra.
Além do impacto financeiro imediato, analistas do Morgan Stanley e do Bradesco BBI destacam que a criação do imposto abre um precedente regulatório que aumenta a incerteza para investimentos no setor. Por outro lado, a posição geográfica do Brasil, distante de regiões de conflito capaz de interromper produção, e a busca por fontes alternativas por importadores como China, Índia e Japão podem favorecer as petroleiras brasileiras.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6