O resultado trimestral da Natura superou expectativas do mercado, o que impulsionou as ações da companhia e fez o papel liderar as altas do Ibovespa no dia, subindo 8,46% para R$ 9,36, enquanto o índice fechou em alta de 0,30%.
Resultado e impacto no mercado
O lucro líquido reportado no período foi de R$ 186 milhões, cerca de 13% acima do que o mercado projetava, e o Ebitda ficou 35% maior que as estimativas dos analistas. A empresa também registrou geração de caixa: o fluxo de caixa livre foi de R$ 250 milhões no trimestre, respaldado pela melhora operacional.
Três desafios em evidência
Apesar dos números positivos, a Natura ainda enfrenta três pontos que mantêm investidores e analistas cautelosos. O primeiro é a alavancagem financeira. A relação dívida/indicador semelhante caiu de 2,5 vezes para 1,5 vez no quarto trimestre de 2025, refletindo, em parte, vendas de ativos. A dívida líquida encerrou o período em R$ 3,5 bilhões, porém esse nível é considerado elevado em um cenário de juros altos, o que preserva o risco financeiro até que as taxas recuem de forma mais significativa.
O segundo desafio é a fraqueza nas vendas domésticas. A receita no Brasil teve queda de 4,8% no quarto trimestre de 2025, totalizando R$ 3,77 bilhões em comparação anual, com pressão atribuída, em especial, ao desempenho da Avon.
O terceiro ponto focal é a própria Avon. Adquirida pela Natura em 2020, a marca — que completará 140 anos em 2026 — perdeu relevância nos últimos anos, enfrenta dificuldades operacionais e segue em processo de reestruturação, cuja consolidação ainda não apresenta sinais definitivos.
Leitura dos analistas
Entre as casas que acompanharam o balanço, o BTG Pactual ressaltou a simplificação da estrutura e o desempenho operacional acima do esperado, mas manteve recomendação neutra para a ação, com preço-alvo de R$ 12, enquanto continuará monitorando recuperação de margens, redução da alavancagem e retomada das vendas no Brasil e na América Latina.
Imagem: Divulgação
O Santander destacou disciplina na redução de despesas e ganhos de eficiência nas despesas gerais e administrativas, observando queda nos custos de transformação, que, segundo a instituição, podem se aproximar de zero em 2026. O banco também mantém recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 9,70.
Já o Itaú BBA reconheceu a preocupação com a pressão sobre receitas no Brasil, por conta de iniciativas comerciais que devem ganhar tração de forma gradual, mas segue com recomendação de compra, apontando um caminho plausível para melhora de margens em 2026, apesar de um primeiro trimestre possivelmente mais desafiador.
Em síntese, resultados operacionais e geração de caixa comemorados pelo mercado dividem espaço com preocupações sobre endividamento, vendas e a recuperação da Avon, fatores que continuarão a influenciar a avaliação da companhia nos próximos trimestres.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6