WASHINGTON — A pequena Ilha de Kharg, principal ponto de embarque do petróleo iraniano, voltou a ser mencionada como possível alvo por Donald Trump, que renovou a ameaça de atingir a infraestrutura petrolífera após ataques americanos a alvos militares na ilha.
Em entrevista de 1988, Trump já havia afirmado que, se o Irã atacasse tropas dos Estados Unidos, “eu faria um estrago na Ilha de Kharg. Eu iria lá e tomaria aquilo”. Quase quatro décadas depois, ele descreveu Kharg como a “joia da coroa” do Irã e disse na Casa Branca, nesta segunda-feira (16), que “basta uma palavra, e os dutos somem”, ao reafirmar a possibilidade de destruir instalações na ilha. Na sexta, o presidente publicou nas redes sociais que ataques aéreos dos EUA haviam “totalmente obliterado” alvos militares em Kharg e afirmou que poderia atingir a infraestrutura de energia com “cinco minutos de antecedência” caso o Irã interfira na passagem de navios pelo Estreito de Ormuz.
Geograficamente localizada no norte do Golfo Pérsico, Kharg é vista como um alvo estratégico porque concentra grande parte das exportações de petróleo do Irã — antes do conflito, cerca de 90% do óleo bruto iraniano seguia pela ilha. Um ataque que danificasse ou interrompesse esse fluxo reduziria significativamente a capacidade do país de gerar receitas com seus recursos naturais.
No entanto, especialistas consultados apontam riscos elevados para uma ação direta. Clayton Seigle, do Center for Strategic and International Studies (CSIS), observa que o Irã tem evitado mirar em grandes alvos de petróleo e gás para preservar a opção de escalada e que mesmo a captura de Kharg não eliminaria a influência de Teerã sobre as exportações, já que a ilha fica a cerca de 640 km do Estreito de Ormuz — rota que o Irã pode usar para pressionar o comércio marítimo.
Para Richard Goldberg, da Foundation for Defense of Democracies, uma invasão só faria sentido se os riscos para tropas americanas fossem aceitáveis e se os Estados Unidos tivessem como controlar o fluxo de petróleo por oleodutos até Kharg. Caso contrário, ataques cirúrgicos à infraestrutura ou à usina de energia da ilha seriam alternativas para reduzir a renda do regime iraniano, segundo ele.
Analistas ressaltam também o impacto no mercado global de energia: cortar as exportações via Kharg removeria volume relevante do mercado por tempo indeterminado, pressionando preços que já subiram para acima de US$ 100 o barril — contra menos de US$ 73 antes do início da guerra. Apesar dos bombardeios recentes, imagens de satélite mostram que Kharg continuava operando, com três navios-tanque atracados na terça-feira.
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Além disso, desde 1º de março ao menos 14 embarcações carregadas com petróleo ou derivados deixaram o Irã e passaram pelo Estreito de Ormuz, segundo a consultoria Lloyd’s List Intelligence. Para alguns especialistas, a capacidade de Teerã de assediar navios na passagem estreita do estreito é a principal ferramenta de barganha do país, mais valiosa do que as instalações de Kharg.
O envio de cerca de 2.500 fuzileiros navais desde bases no Japão para o Oriente Médio também alimentou especulações sobre a possibilidade de uma operação americana na ilha. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, lembrou que Trump “tem sido notavelmente consistente a vida inteira em relação ao Irã” e citou a declaração antiga do então empresário sobre “tomar” Kharg caso tropas americanas fossem atacadas.
O futuro de Kharg permanece, assim, entre a capacidade de pressionar economicamente o Irã e o risco de provocar nova escalada regional com efeitos sobre os preços e a segurança no Golfo Pérsico.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6