Distúrbios relacionados à saúde do cérebro — como Alzheimer, demência, depressão e déficits cognitivos após AVC — geram hoje um custo anual estimado em US$ 5 trilhões para a economia mundial. Esse valor, segundo projeções citadas em relatório recente, pode chegar a US$ 16 trilhões até 2030. Dados e debates sobre o tema ganharam destaque em Davos, durante o Fórum Econômico Mundial, onde o assunto passou a ser tratado também como questão de produtividade e competitividade na era da inteligência artificial.
O novo relatório conjunto do Fórum Econômico Mundial e do McKinsey Health Institute esteve no centro das discussões em Davos. Nele, especialistas defendem que a saúde cerebral deve ser incorporada às agendas econômicas, e que investimentos nessa área influenciam não apenas os orçamentos de saúde, mas a capacidade produtiva de empresas e países.
1. A economia da IA depende de cérebros saudáveis
Com a automação de tarefas rotineiras pela IA, aumentam a demanda por habilidades cognitivas superiores, criatividade e capacidade adaptativa. Harris Eyre, neurocientista e coautor do relatório, afirmou que empresas e nações que investirem em saúde cerebral terão força de trabalho mais preparada para a transição tecnológica. A proporção global de adultos em idade ativa frente a aposentados deve cair de cerca de 8 para 1 para 4 para 1 até 2050, o que torna estratégico preservar a capacidade cognitiva da população.
O relatório também apresentou o Índice Global de Capital Cerebral, que mapeia investimentos em saúde cognitiva em relação à produtividade econômica e fornece métricas para ministros da Fazenda e bancos de desenvolvimento integrarem a saúde cerebral em políticas econômicas.
2. Mulheres: maior impacto e papel central na solução
Quase dois terços das pessoas com Alzheimer são mulheres. Elas também realizam mais de 60% do cuidado não remunerado a pessoas com demência, com impacto sobre salários, carreira e saúde. A demência contribui para explicar parte da persistência da diferença salarial e da queda na participação feminina no mercado de trabalho na meia-idade.
Ao mesmo tempo, grandes transferências de riqueza previstas nos Estados Unidos nas próximas duas décadas colocam mulheres em posição de controle de capital: estima-se que US$ 84 trilhões em ativos serão transferidos entre gerações no país, e a McKinsey projeta que as mulheres americanas controlarão grande parte dos US$ 30 trilhões dos baby boomers até 2030. Assim, as mulheres são descritas no relatório como vítimas, cuidadoras e potenciais decisoras e investidoras para financiar pesquisas e prevenção.
3. Sul Global: risco e oportunidade
O relatório alerta que, até 2050, a Índia terá um aumento de mais de 300 milhões na população com mais de 60 anos e que a África pode somar mais de 200 milhões de casos de demência. Cerca de 70% dos casos globais ocorrerão em países de baixa e média renda. Esses países concentram os maiores crescimentos da população em idade ativa, e a falta de ações pode reduzir produtividade, sobrecarregar sistemas de cuidado e limitar o crescimento econômico global.
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Os autores defendem investimento em detecção precoce, prevenção e capacitação para testes clínicos no Sul Global, ressaltando que 90% dos estudos genéticos atuais envolvem apenas 10% da população mundial — limitação que pode tornar tratamentos menos eficazes para as populações que enfrentarão maior carga da doença.
Em Davos, o tema passou a ser discutido fora exclusivamente dos ministérios da Saúde, convocando também ministros da Fazenda, conselhos de administração, fundos de pensão e seguradoras a integrarem saúde cerebral nas estratégias econômicas e corporativas.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6