Por Fernanda Bassette, da Agência Einstein
19/3/2026
Pesquisa acompanha 152 corredores amadores e não encontra prejuízo duradouro ao coração
Um estudo publicado em janeiro no periódico JAMA Cardiology concluiu que correr maratonas não leva a dano permanente na função cardíaca. A pesquisa avaliou 152 corredores amadores antes da prova, imediatamente após a corrida, nos dias seguintes e novamente dez anos depois, e identificou alterações transitórias que retornaram aos valores normais em curto prazo.
Os autores, ligados a instituições na Suíça, na Alemanha e nos Estados Unidos, registraram aumento da troponina — marcador sanguíneo associado a lesão cardíaca — e queda temporária da função do ventrículo direito logo após a maratona. Segundo os resultados, tais mudanças atingiram pico nas horas seguintes à prova, mas já se normalizaram em até três dias e permaneceram estáveis ao longo do acompanhamento de dez anos, dentro dos limites considerados normais.
Os achados respondem a questionamentos antigos sobre os efeitos de esforços prolongados e repetidos sobre o músculo cardíaco. Exames realizados no passado mostravam elevação de troponina em muitos atletas logo após provas longas, o que gerava preocupação por ser um marcador usado no diagnóstico de infarto. Além disso, imagens prévias indicavam dilatação temporária e redução da capacidade de contração do ventrículo direito após eventos de endurance.
A cardiologista e médica do esporte Luciana Janot, do Hospital Israelita Einstein, destaca que a questão central é a condição física do atleta ao enfrentar uma maratona. Segundo ela, as horas de esforço contínuo envolvem aumento de adrenalina, alterações eletrolíticas, risco de desidratação e grande sobrecarga cardiovascular, fatores que explicam a redução temporária da função da câmara direita — que tem parede mais fina e opera em pressões menores.
Os pesquisadores não encontraram associação entre a elevação temporária da troponina após a prova e piora da função cardíaca no período de 10 anos. No contexto clínico, a troponina isolada não determina infarto; é necessário considerar sintomas, eletrocardiograma e a evolução do marcador.
Imagem: JOAQuincorbalan.com m
Os autores e especialistas ressaltam, contudo, que a prática não é isenta de riscos. Em corredores acima de 35 anos, eventos graves durante provas costumam estar ligados a doença coronariana não diagnosticada; em atletas mais jovens, cardiomiopatias e doenças elétricas hereditárias podem aumentar o risco de arritmias graves. Sinais como dor torácica que não melhora ao reduzir o ritmo, falta de ar desproporcional, desmaio, palpitações intensas ou queda súbita de desempenho exigem atenção médica imediata.
Para quem corre por lazer, a recomendação é manter avaliação clínica regular. História clínica, exame físico e eletrocardiograma são considerados o mínimo. Entre 35 e 59 anos, especialmente na presença de fatores de risco como hipertensão, diabetes ou hipercolesterolemia, indica-se teste funcional, como o teste cardiopulmonar. Acima dos 60 anos, o teste é recomendado independentemente do nível de treino.
O estudo acrescenta evidências de que alterações observadas após maratonas tendem a ser transitórias e não evoluem para disfunção cardíaca permanente em corredores amadores saudáveis.
Com informações de Fitnessbrasil

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6