Ter um cachorro na cama altera processos biológicos ligados ao descanso humano, segundo pesquisas citadas pela reportagem. O contato físico noturno com o animal estimula a liberação de ocitocina — o chamado hormônio do amor — e contribui para a redução do estresse, favorecendo um estado de relaxamento que facilita o início e a manutenção do sono.

Quem, o que e como

De acordo com um estudo da Network for Animals, a presença do cão no quarto atua diretamente sobre o sistema nervoso do tutor. O toque e a proximidade enviam sinais que ajudam a diminuir os níveis de cortisol e facilitam a transição do corpo para o repouso. Além disso, o calor do animal e o ritmo regular da sua respiração funcionam como fatores calmantes, criando uma sensação de segurança que reforça o vínculo entre humano e pet.

Etapas fisiológicas observadas

Relatos sobre os processos desencadeados durante a noite destacam três momentos distintos: inicialmente, o contato físico provoca elevação rápida da ocitocina; em seguida, há queda da pressão arterial e estabilização da frequência cardíaca do tutor; por fim, ocorre a liberação de substâncias associadas ao sono restaurador, que colaboram para fases mais profundas do ciclo circadiano.

Benefícios para a saúde mental

A companhia do cão pode atenuar a sensação de solidão noturna, um fator que contribui para quadros de insônia em adultos. Estabelecer a rotina de dormir com o pet cria um sinal comportamental que o cérebro associa ao descanso, reduzindo a hipervigilância típica da ansiedade. Entre os benefícios relatados estão redução de sintomas de ansiedade e ataques de pânico noturno, aumento da sensação de proteção no ambiente doméstico, liberação contínua de dopamina em estágios de sono leve e melhora do humor ao despertar.

Elementos trocados entre tutor e animal também infl uenciam o organismo: o calor corporal promove conforto térmico e relaxamento muscular imediato; a elevação da ocitocina ajuda a neutralizar o cortisol; e a sincronização respiratória entre os dois pode favorecer a indução de sono REM.

Cuidados e limitações

Para a maioria das pessoas, dividir a cama com o cachorro traz mais benefícios do que riscos, desde que o animal esteja com higiene em dia e com vacinas e vermífugos atualizados. Manter o ambiente limpo e escovar o pet regularmente reduz a presença de alérgenos no colchão e nos travesseiros.

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Se o cachorro for muito agitado, a adaptação deve ser gradual: comece pela caminha ao lado da cama e permita o acesso ao colchão em horários específicos após o animal se acalmar. Estabelecer limites de espaço e usar treinamento positivo ajuda a preservar o conforto do tutor.

Pessoas com rinite alérgica severa ou asma devem ter cautela; a orientação comum é impedir que o pet durma na mesma superfície, mantendo-o, se possível, no mesmo quarto. Purificadores de ar e capas antialérgicas no colchão são medidas que podem reduzir sintomas. A avaliação das reações individuais a cada noite é recomendada para decidir se a prática é viável a longo prazo.

Com informações de Olhardigital