Pesquisadores anunciaram a identificação de uma nova espécie de lagarto monitor encontrada em áreas remotas do deserto australiano. Batizado popularmente como monitor rochoso-de-cabeça-laranja, o réptil chamou a atenção por uma coloração intensa na cabeça e por ter permanecido isolado em fendas de pedra por milênios.

Quem e como foi feita a descoberta

Segundo estudo da University of Adelaide, a distinção da espécie foi possível por meio de análises genéticas profundas. Equipes de campo coletaram amostras de diferentes populações que até então eram tratadas como um único grupo taxonômico; o sequenciamento de DNA revelou linhagens distintas e confirmou que se tratava de uma espécie não descrita anteriormente.

Onde o animal vive e por que passou despercebido

Os exemplares foram recolhidos em expedições realizadas em regiões remotas do Kimberley e do Território do Norte, onde habitam afloramentos de arenito e fendas rochosas profundas. Essas estruturas criam microclimas mais frescos e funcionaram como barreiras físicas que mantiveram a população isolada, dificultando sua detecção por humanos ao longo do tempo.

Características físicas e comportamento

O traço mais marcante é a pigmentação da cabeça em um tom laranja vibrante, contrastando com o corpo mais escuro. Morfologicamente, a espécie apresenta corpo achatado e garras afiadas que facilitam a entrada em rachaduras e a adesão a superfícies verticais de arenito. O comprimento médio é de aproximadamente 25 cm, tamanho que favorece a agilidade entre fendas. Os animais são descritos como muito ariscos e dependentes de abrigos térmicos.

Dieta, ameaças e proteção

A alimentação consiste principalmente de insetos e pequenos invertebrados que vivem entre as rochas. Entre as ameaças apontadas pelos pesquisadores estão as mudanças climáticas e o tráfico de animais. O reconhecimento oficial da espécie nos registros de biodiversidade permitirá ações de monitoramento e a adoção de medidas de proteção por órgãos ambientais australianos.

Imagem: Divulgação

O sequenciamento genético também tem papel prático na conservação: além de avaliar a saúde genética e o nível de isolamento das populações, serve para rastrear a origem de espécimes apreendidos em casos de tráfico, auxiliando na proteção da nova espécie e de seu habitat rochoso.

Com informações de Olhardigital