A indústria de chocolates já colocou em prática uma estratégia de antecipação para a Páscoa de 2026, com lançamento precoce de produtos, ampliação do portfólio e parcerias de licenciamento para estimular vendas mesmo diante da alta da inflação e do custo de insumos.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), o mercado traz 700 produtos de Páscoa nesta temporada, número 14% superior ao registrado em 2025. O setor enfrenta o desafio de conciliar esse aumento de oferta com o ajuste de preços, já que a recente queda nas cotações do cacau e do açúcar ainda não se refletiu totalmente nos custos industriais.

Planejamento e produção com antecedência

O longo ciclo de produção é um dos fatores que explicam a manutenção de preços. A Cacau Show, por exemplo, inicia o planejamento da Páscoa com 17 meses de antecedência e começou a produção de itens ainda no fim do ano passado, para atender demanda antecipada.

A rede afirma ter privilegiado planejamento, eficiência operacional e escala para absorver parte dos aumentos de custo, preservando gramaturas e aplicando um reajuste médio de cerca de 4%, em linha com a variação do IPCA. A empresa manteve opções a partir de R$ 9,99.

A Kopenhagen também reposicionou seu portfólio para ampliar competitividade, reorganizando os produtos em oito categorias e reforçando a linha “Clássicos”. A marca passou a oferecer ovos a partir de R$ 89,90, com objetivo de preservar percepção de valor e atrair consumidores, segundo Pedro Velardo Neto, Head de Marketing da Kopenhagen.

Vendas antecipadas e pré-venda

Para diluir o impacto dos custos e garantir faturamento, grandes fabricantes anteciparam lançamentos. Nestlé e Garoto produziram juntas mais de 174 milhões de itens presenteáveis e ovos para abastecer 500 mil pontos de venda, iniciando exposição e vendas no começo de janeiro — com ovos disponíveis antes do pré-Carnaval. O grupo oferece 17 opções e projeta crescimento de dois dígitos para 2026; a linha de tabletes recheados recebeu reforço com o sabor Galak.

A Cacau Show abriu pré-venda online na segunda quinzena de janeiro para linhas licenciadas como Batman, One Piece e Harry Potter — este último com brinde que reproduz a voz original dos filmes — e registrou itens esgotados em poucos minutos, segundo Lilian Rodrigues, diretora de marketing. No início de fevereiro, os produtos passaram a ser vendidos nas lojas físicas e no e-commerce da rede.

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Collabs e licenciamento como trunfo

As colaborações têm papel central na estratégia para 2026. Na Páscoa de 2025, ovos recheados em parceria impulsionaram a Brasil Cacau a um crescimento a dois dígitos e a um aumento total de 40% nas vendas. Em 2026 a marca traz 38 produtos — 18 lançamentos — e contou com parcerias com Turma da Mônica, Nesquik, Fini, KitKat, Charge, Lollo e Alpino.

Para a Brasil Cacau, as collabs ampliam inovação e público, criando mais ocasiões de compra e reforçando a experiência de Páscoa, conforme destaque de Marcos Freitas, Head de Marketing da empresa. A Kopenhagen também projeta crescimento na categoria de licenciados com lançamentos como Fofolete, Emily in Paris, Wandinha e Cerejinha, que se somam a parcerias anteriores com Paris Saint-Germain, Manchester City e Moranguinho, e introduz o sabor Pipoca voltado ao público adulto.

No conjunto, as fabricantes buscam antecipar o consumo com produtos criativos, embalagens pensadas para presentes e recheios inovadores, estratégias destinadas a manter o aquecimento das vendas na data mais importante do setor, mesmo com a alta de preços.

Com informações de Infomoney