Relatório da Carta aponta dominância de poucos fundos nos resultados do venture

Um estudo recente da Carta sobre o desempenho de fundos de venture capital no 4º trimestre de 2025 mostra que uma parcela muito pequena de fundos responde pela maior parte dos retornos. Ao analisar as vintages de 2017 a 2024, o levantamento identifica padrão consistente: os ganhos são concentrados em um grupo restrito de fundos fora da curva.

Os dados expostos no relatório destacam diferença expressiva entre fundos excelentes e os demais. Em 2019, os 10% melhores fundos registraram cerca de 3,0x de TVPI, contra 1,9x no top 25% e 1,33x na mediana. Em 2017, o top 10% chegou a 4,1x de TVPI, enquanto o top 25% alcançou 2,5x, reforçando que acertos excepcionais têm impacto desproporcional sobre os resultados agregados.

Quanto à rentabilidade medida por IRR, os vintages mais recentes ainda estão maturando, mas já apresentam mudança de sinal. As medianas de IRR de 2021 e 2022 voltaram ao positivo — 1,4% e 0,7%, respectivamente — seguindo o padrão de J-curve. As vintages entre 2017 e 2020 mantêm medianas de IRR superiores a 4,2%, com leve compressão conforme amadurecem.

Parte importante do capital levantado permanece sem alocação. O nível de dry powder subiu significativamente: cerca de 72% do capital dos fundos captados em 2025 ainda não foi investido, ante 53% em 2024 e 35% em 2023. Somadas, essas três vintages detêm mais de US$ 19 bilhões disponíveis, elevando a competição por ativos de alta qualidade e deixando os resultados finais em aberto.

O cenário de mercado aponta para normalização em vez de expansão. O fundraising teve melhor desempenho no 4º trimestre de 2025, totalizando US$ 41 bilhões, o maior montante desde o início de 2022. A incidência de down rounds caiu para 14,5%, mínima em três anos, embora ainda acima do nível pré-2021. O intervalo entre rodadas voltou a diminuir, especialmente de Seed para Series A, e as taxas de progressão entre estágios apresentam recuperação.

Outro fator central é a concentração de capital em Inteligência Artificial: startups de IA capturaram 41% de todo o capital levantado em 2025, a maior participação já registrada, impacto que já aparece nos retornos, sobretudo entre os fundos do top 10%.

Imagem: Getty

Na América Latina, o relatório aponta que a concentração tende a ser ainda mais acentuada, com resultados concentrados em um número muito pequeno de fundos e empresas capazes de atingir escala global. Gestores que aliam disciplina de preço e exposição a temas globais, como IA, infraestrutura de fintech e plataformas cross-border, têm maiores chances de figurar entre os outliers onde o valor se concentra.





O relatório conclui que o mercado de venture segue desigual e que os volumes expressivos de dry powder e um mercado de saídas em recomposição tornarão os próximos anos decisivos para determinar onde o capital será alocado e quais fundos capturarão os retornos mais significativos.

Com informações de Tecmundo