Pesquisadores apresentam evidências genéticas de que a convivência entre humanos e cães começou há aproximadamente 15.800 anos. Dois estudos publicados nesta quarta-feira (25) na revista Nature trazem o sequenciamento do DNA canino mais antigo já identificado e novas análises sobre a evolução e a domesticação dos cães.
O que foi encontrado
O fragmento de crânio com o DNA mais antigo foi recuperado em Pınarbaşı, na atual Turquia. Segundo Laurent Frantz, da Universidade Ludwig Maximilian de Munique, o indivíduo era uma fêmea jovem, provavelmente com poucos meses de vida, que devia se assemelhar a um lobo de porte reduzido. A data estimada para esse material é de cerca de 15.800 anos; antes desse achado, o registro mais antigo datava de 10.900 anos.
Dois possíveis ancestrais: lobos cinzentos
As pesquisas indicam que os cães modernos descendem de dois grupos distintos de lobos cinzentos, embora a separação temporal exata permaneça incerta. A semelhança morfológica entre ossos de lobos e de cães torna difícil a identificação apenas por características físicas, o que tornou necessário o sequenciamento de genomas de restos arqueológicos para esclarecer a origem e o processo de domesticação.
Distribuição e funções dos primeiros cães
Outro achado relevante vem do sudoeste da Inglaterra: restos com DNA datados em 14.300 anos que ajudam a mapear a dispersão inicial dos cães pela Europa. Esses dados reforçam a hipótese de que animais já eram mantidos por caçadores-coletores para auxiliar em atividades como caça ou proteção, dado o custo de mantê-los. Há ainda indícios de vínculo afetivo, como enterramentos de filhotes associados a sepulturas humanas.
Imagem: Museu de História Natural de Londres
Comparações genéticas e movimentos humanos
Em um dos estudos, cientistas compararam genomas de 216 cães e lobos europeus para rastrear a evolução canina no continente. Há cerca de 10 mil anos, durante a transição para a agricultura, grupos de agricultores do sudoeste da Ásia migraram para a Europa. Contudo, a troca genética observada entre populações humanas não ocorreu em paralelo com as mudanças genéticas dos cães, o que sugere que caçadores-coletores já domesticavam e criavam cães antes da chegada desses agricultores.
Os resultados confirmam que a domesticação de cães antecede o Neolítico e revelam lacunas ainda existentes no entendimento da separação entre cães e lobos. Pesquisas futuras seguem tentando identificar os mecanismos e o momento exato dessa transformação.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6